Capítulo 224 – Onze Anos, Jill
Onze anos, Jill.
— Vovô, o Duke está tentando te tirar daqui.
Fui até o vilarejo da pobreza e disse isso diretamente a ele.
Por causa de vários motivos, o Duke não conseguiu vir até o vilarejo, então só eu vim até aqui.
— …Entendo. O Duke, é?
O vovô murmurou isso com uma expressão nostálgica.
O Duke é sobrinho do vovô. Devem ter muitas memórias que eu nem conheço.
— Sair?
— Mas, se o mestre for embora, o que acontece com esse vilarejo?
Antes que o vovô pudesse responder, Rebecca abriu a boca.
— É isso mesmo, até quando a gente vai ter que ficar sendo balançado pelos caprichos dos nobres?
Nate, ao lado da Rebecca, também interveio.
Nate é o capitão deste vilarejo. Já conheci a força dele quando lutou com a Alicia antes — é um recurso e tanto.
Antes de mais nada, foi surpreendente até saber que esse vilarejo tinha algo como um "batalhão".
…Sem dúvida, este vilarejo está ficando cada vez mais forte. Alicia e o vovô mudaram este lugar. Um vilarejo que antes era tão decadente assim agora parece cheio de vida.
De fato, a Alicia é impressionante. Toda oportunidade parte dela.
Fiquei encarando o vovô, ainda calado, refletindo sem dizer nada.
— Eu não queria pensar num vilarejo desses como meu lar de origem, …mas agora é diferente. Tudo isso é graças à Alicia. Ela salvou minha vida e me tirou desse vilarejo. …Curou a queimadura da Rebecca e parou a necrose, dando a ela a chance de virar a salvadora deste lugar. Devolveu a visão ao vovô, transformando-o em líder deste vilarejo. Nada disso teria acontecido sem a Alicia. …Por isso, eu quero corresponder às expectativas dela. A vontade inesgotável dela de sempre melhorar me dá coragem.
Falei tudo o que estava sentindo, de uma vez só. Todos ficaram calados, ouvindo o que eu tinha a dizer.
Nem eu mesmo esperava conseguir falar tanto assim. Mas, quando penso na Alicia, as palavras simplesmente transbordam naturalmente.
Não tenho como agradecer o suficiente a ela. Ela é a minha esperança.
— Jill, você cresceu, hein.
Dizendo isso, o vovô afagou minha cabeça com gentileza.
Eu gosto dessa mão. É porque o vovô me reconhece, mesmo já crescido, que eu volto pra cá de novo.
— Eu também preciso seguir em frente logo, hein.
O vovô murmurou isso como quem já tomou a decisão.
— Vamos sair deste vilarejo.
Dentro daquele pequeno quarto, só a voz dele ecoava. Diante daquelas palavras sérias, todos ficaram paralisados. …Finalmente, o dia chegou.
Ninguém disse nada, todos esperando a próxima palavra do vovô.
— Se a gente tiver medo de seguir em frente, nada vai mudar.
— E o que vai ser de nós, então?
Nate encarou o vovô com um olhar afiado.
— Vocês também vão sair.
— Nós também?
— Como, exatamente? Esse aí tem aquele remédio mágico que ganhou de um figurão nobre, mas nós, como é que a gente sai desse vilarejo!?
Nate explodiu de raiva, levantando a voz.
De fato, eu recebi o Abel, aquele líquido rosa, do Arnold, então consigo ir e vir deste vilarejo. Mas, claro, a maioria das pessoas aqui não veem isso com bons olhos.
— Vou conseguir com o rei.
— …Só o senhor vai na frente, então?
— Eu com certeza volto.
— E se, depois de dizer isso, você nos abandonar? Todo mundo quer sair deste vilarejo. O senhor é ex-nobre. Não teria como não agarrar uma oportunidade boa dessas.
— Não me subestime.
Aquela única frase do vovô mudou o ar da sala num instante.
Fiquei intimidado com aquela autoridade toda. Até o Nate arregalou os olhos e ficou paralisado.
Nunca conheci esse lado do vovô. A verdadeira essência dele apareceu — o antigo príncipe ambicioso, calculista, de intelecto genial.
Será que a Alicia já tinha percebido essa autoridade dele desde o início? …Eu sempre perco pra ela, do início ao fim.
Pensando nisso, ficamos todos ouvindo atentamente o que o vovô tinha a dizer.