Capítulo 233
— Seeker… Will, você diz?
Pela primeira vez, o rei deixou transparecer uma expressão de perturbação genuína.
Até há pouco, não importava quanta discussão a gente tivesse, ele quase não mudava de expressão…
Dava pra ver aqueles olhos com a cor de mar profundo tremendo. Claro, não foi só o rei quem se abalou com minhas palavras.
Os outros quatro herdeiros das cinco grandes famílias também ficaram paralisados, com as pupilas dilatadas, exatamente como o rei.
Ah, entendi — então eles conheciam a existência do Will, ainda que superficialmente. Bom, acho que, além do rei, nenhum deles sabia que o vovô tinha sido mandado pro vilarejo da pobreza.
— A Alicia deu… o olho pro Will? Como assim?
Arnold perguntou isso, ainda confuso.
— É uma história longa de contar.
— O Will, meu irmão mais velho, ainda está vivo!?
O rei se levantou do lugar e levantou a voz. Todos ficaram surpresos com aquele lado dele que nunca tinham visto antes.
…Isso é inesperado. Nunca imaginei que o rei fosse perder a compostura assim.
— Está vivo, sim. Naquele vilarejo pra onde o senhor mesmo o mandou.
— Aquele vilarejo…?
Joan, pai do Gale, de cabelo cinza claro, franziu a testa e falou pela primeira vez.
Pensando bem, será que esses pais ficam quietos, sem dizer nada, vendo o quanto os próprios filhos agem feito tolos? …Não, será que eles não conseguem dizer nada?
Este reino tem mistério demais.
— Ele desapareceu de repente, então acho natural que todos pensassem que estava morto.
— Luke, o que significa isso?
Joan olhou pro rei com uma expressão severa.
— …Meu pai também está lá?
Arnold, seguindo Joan, também perguntou isso com uma voz baixa. O ar tremeu com aquela voz misturada de surpresa e raiva.
Nunca imaginei que a coisa fosse tomar esse rumo… Já estou ficando cansado disso tudo.
O pai do Arnold não está no vilarejo da pobreza. Então… deve ser um dos exilados pro reino de Lavarre.
Quem sabe ele já tenha até se encontrado com a Alicia. Isso sim ia ser interessante. Devia ter insistido mesmo pra ir junto com ela.
— Bom, então a gente já vai indo.
— Espera, meu irmão ainda está vivo, não está?
O rei levantou a voz, cobrindo as minhas palavras.
— Graças à Alicia, ele está rejuvenescendo cada vez mais.
— Entendo… meu irmão estava vivo. Entendo. Que bom…
Ele repetiu várias vezes, como quem saboreava a notícia de que o vovô ainda estava neste mundo.
Aquela expressão de alívio era exatamente a de alguém preocupado com a própria família.
Amando tanto assim, por que ele fez algo tão cruel com o próprio irmão? …Bom, quem realmente fez isso foi a mãe do rei. Mas ele poderia ter impedido.
Bom, deixando isso de lado, agora o rei vai ser cobrado pelo Arnold e os outros.
O rei também está numa situação difícil. Poderia dizer que é "colher o que plantou", mas fica por aí mesmo.
Duke ficou olhando pro rei por um instante, e depois saiu do local sem dizer nada.
Eu também o segui.
—
— Mas foi surpreendente, hein.
Depois de sair da sala, abri a boca depois de um tempo. Diante das minhas palavras, o Duke inclinou levemente a cabeça.
— O que foi surpreendente?
— O rei estar preocupado com o vovô assim, sem eu esperar.
— Meu pai sempre admirou o tio.
— …Então devia ter ajudado ele, né.
— Ele estava sendo manipulado, provavelmente.
A voz do Duke era baixa demais, não consegui entender direito o que ele disse.
Se ele resmungou de propósito baixinho, pra eu não ouvir, é porque, mesmo que eu pergunte de novo, ele só vai desconversar.
Não toquei mais no assunto e mudei um pouco de tópico.
— Por que o rei não sabe quase nada sobre a real situação dentro do vilarejo da pobreza? Aquela parede de neblina que confina o vilarejo é magia de água, né?
— Isso também continua sendo um mistério pra mim. Meu pai, à sua maneira, também vinha buscando soluções pro vilarejo da pobreza, mas não sabia absolutamente nada sobre a real situação do meu tio lá.
Dizendo isso, ele fez uma expressão complicada.
De alguma forma, fico até um pouco aliviado sabendo que existem coisas que nem o Duke sabe.
— E aí, o que a gente faz daqui pra frente?
— Vou usar ela.
— Ela vai servir pra alguma coisa?
Claro, "ela" se refere à Kate Liz.
— Bom, ela não é má pessoa.
…Isso eu não posso negar.
Ela é o tipo de pessoa que eu simplesmente não consigo lidar bem, mas ela não é uma pessoa cruel ou maligna de verdade. Isso é o que torna tudo ainda mais complicado.
— Então, finalmente, a nossa Santa vai mostrar o próprio valor de verdade.
— Seria um desperdício não usar esse poder dela.
— Ela pode acabar dizendo algo tipo "não quero usar magia pra isso"…
— Vou fazer ela usar.
Vendo o canto da boca do Duke se erguer levemente, senti um arrepio gelado percorrer minha espinha.
Que tipo de estratégia ele vai usar, afinal…