Capítulo 234
O topo do sol começava a aparecer, tênue, no horizonte.
Bem cedo de manhã, nos reunimos no jardim interno da mansão Williams. Eu, Henry e Duke, nós três.
Hoje, finalmente, é o dia em que o vovô vai sair daquele vilarejo.
Sinto alegria, empolgação, e também um pouco de ansiedade. Se o rei fizer alguma coisa, eu, do jeito que estou agora, não tenho força suficiente pra proteger o vovô completamente.
— Duke, promete que vai proteger o vovô.
Falei isso olhando bem nos olhos dele. Duke assentiu em silêncio.
Na verdade, o Duke também tinha dito que queria ir até o vilarejo da pobreza, mas eu o impedi. A situação ainda não está favorável pra ele ir. Ainda tem muita gente lá que odeia profundamente os nobres.
Claro, a Alicia também é nobre, mas ela é um caso excepcional. Existe uma diferença enorme entre a Alicia, que reergueu aquele vilarejo com as próprias mãos, e um príncipe que nunca sequer pisou lá.
Eu sei que o Duke não ficou parado sem fazer nada só porque nunca foi até o vilarejo da pobreza, mas as pessoas de lá não pensam assim. E o próprio Duke entendeu isso também.
— Conto com você.
Diante das palavras do Duke, acenei com a cabeça profundamente, troquei um olhar com o Henry, e saí do local.
Chegar até o vilarejo da pobreza leva bastante tempo.
Só de pensar que a Alicia costumava correr essa distância toda carregando livros, sinto um arrepio. Que tipo de castigo pessoal ela estava se impondo, sozinha? Mesmo sendo curiosa, é impressionante ela ter ido até o vilarejo da pobreza quase todas as noites.
Fui pensando nisso enquanto caminhava.
—
— Vovô!
Assim que cheguei ao vilarejo, corri até o vovô.
Todo mundo tinha saído bem cedo de manhã pra se despedir dele. Ninguém ali parecia querer abrir mão do herói deste vilarejo.
Mas nós precisamos sair daqui. Pra libertar todo mundo deste lugar…
— Bebe isso, e vamos sair daqui.
O vovô respondeu depois de respirar fundo uma vez.
— Vamos, então.
Pegou o frasco da minha mão e bebeu o Abel de uma vez só. No fundo do frasco, restou um pouquinho de líquido rosa claro.
Finalmente, o vovô vai ser livre. Finalmente vai conseguir sair deste vilarejo.
Meu coração batia forte, tum-tum, sem parar. Fiquei empolgado com a libertação do vovô.
Estou ansioso pra ver como ele vai mudar a situação política deste reino.
— Vou ficar um pouco tenso pra encontrar aquele homem, mas…
Dizendo isso, ele começou a caminhar em direção à parede coberta de neblina. Fui atrás do vovô.
"Aquele homem" deve ser o rei.
Quantos anos fazia que ele não via o mundo lá fora? Diferente de mim, o vovô conheceu o mundo exterior antes de vir pra este vilarejo. …Mesmo conhecendo a vida da realeza, como ele conseguiu aguentar tantos anos vivendo desse jeito?
Fui pensando nisso enquanto observava as costas largas e robustas do vovô.
Atrás de nós, sentia os olhares de todos nos observando. Seria mentira dizer que não havia olhares de rancor e inveja misturados ali, mas a maioria das pessoas parecia genuinamente feliz.
Melhor do que antes, mas ainda assim o ar deste vilarejo continua turvo, sempre sombrio, com um cheiro estranho e forte no ar.
Uma vez que a maioria das pessoas saísse daqui, provavelmente nunca mais quereria voltar.
O vovô, depois de décadas, finalmente voltava a um mundo com sol.