Capítulo 244
— Irmão, o senhor não teria interesse em se tornar o novo rei do Reino de Dulkis?
O rei perguntou isso com total seriedade.
Diante daquelas palavras, não só o vovô, mas até o Duke ficou surpreso.
Aconteceu tudo rápido demais, minha cabeça não estava acompanhando. Alguém, por favor, fala mais devagar, num ritmo que até um leigo como eu consiga entender.
— …O senhor tem talento pra ser rei. Isso eu sei melhor do que ninguém, já que estive ao seu lado desde pequeno.
Ele falou aquilo com total seriedade. Pelo jeito de falar, dava pra perceber o quanto o vovô tinha se destacado quando ainda era criança.
— O nosso falecido pai não permitiria isso.
Diante das palavras do vovô, o rei fechou a boca. Parecia levemente perturbado.
O único ponto em comum entre os dois é o pai. Como será, afinal, essa sensação de ter um irmão de mãe diferente…
Depois de respirar fundo, o rei voltou a falar.
— Tenho uma carta que meu pai me confiou. …Ele nunca soube, até o fim da vida, que o senhor tinha sido mandado pro vilarejo da pobreza. Ele achava que o senhor tinha sido assassinado, e se culpava, achando que o motivo tinha sido ele mesmo.
— Entendo, então talvez tenha sido melhor mesmo ele morrer sem saber a verdade. Afinal, eu era tratado como alguém que planejou o assassinato do próprio rei.
— …Não é isso. Meu pai sabia, melhor que ninguém, que o senhor jamais seria capaz de fazer algo assim.
Dava pra perceber que o vovô ficou levemente abalado com aquelas palavras.
— Depois que perdi a capacidade de usar magia, a atitude das pessoas ao meu redor mudou completamente. Até meu pai se decepcionou comigo e parou de sequer olhar pra mim.
— Acho que ele simplesmente não sabia como se aproximar do senhor. Ele se culpava, achando que, se tivesse cuidado mais de perto, talvez o senhor não tivesse perdido o poder mágico. Por causa dessa culpa, ele acabou se afastando cada vez mais do senhor, o que gerou o mal-entendido. Meu pai também sofreu bastante com isso.
— Como você pode saber uma coisa dessas?
— Não tenho um cérebro extraordinário como o senhor, mas sou bom em observar as pessoas.
Dizendo isso, pela primeira vez, ele mostrou um sorriso leve, como quem finalmente relaxou a tensão.
— E, além disso, depois de ouvir que o senhor tinha morrido, meu pai definhou rapidamente, e faleceu logo depois.
Todos não conseguiram esconder a surpresa diante daquele fato que ouviam pela primeira vez.
Já tinha ouvido boatos de que o antigo rei era um homem descuidado com mulheres, um rei incompetente. E, de fato, ele mantinha uma amante, algo proibido neste reino.
De fato, é melhor não confiar demais em boatos. Boatos que chegam aos nossos ouvidos costumam ser exagerados dezenas de vezes, ou então completamente distorcidos.
Até o próprio Duke tem um boato correndo por aí de que estaria sendo manipulado por uma "mulher má" chamada Alicia.
— Mesmo depois de perder toda a capacidade mágica, meu pai depositava mais expectativa no senhor do que em qualquer outra pessoa. A confiança dele pelo senhor era de dar até inveja.
O rei se afastou um pouco do lugar e pegou, de uma pequena caixa de madeira ao lado da cadeira, uma carta. Era uma carta já um pouco amarelada pelo tempo.
Entregou-a devagar ao vovô. Dava pra sentir que o vovô estava um pouco tenso.
São as últimas palavras de um rei já falecido. Mesmo eu, que não tenho nada a ver com isso, sentia o coração bater forte de tensão.
O vovô recebeu a carta e abriu devagar o conteúdo.