Capítulo 243
— Pensando bem agora, acho até bom não conseguir mais usar magia. Consegui me libertar do peso das expectativas dos outros. …Em troca, acabei sobrecarregando você.
— …Irmão, o senhor sempre foi o número um pra mim. Com ou sem magia, sempre te admirei. Tentei ser como o senhor, mas nunca consegui.
Provavelmente, essa é a única vez, antes ou depois, que vou ver o rei desse jeito.
Vendo o olhar tão sincero que o rei direciona ao vovô, dá pra perceber que, seja qual for o resultado, ele realmente se esforçou.
Aquela postura imponente que o rei sempre transmitia deve ter sido moldada a partir da admiração que ele tinha pelo irmão mais velho.
Seja lá que tipo de pessoa a mãe dele fosse, pelo menos ele amava de verdade o irmão mais velho.
Esse reencontro entre os dois é, com certeza, um evento capaz de mudar os rumos da história, mas eu convivo com o vovô todo santo dia. Tenho uma sensação meio estranha com tudo isso.
O primeiro príncipe, que o rei mais admirava de todos, finalmente voltou.
— Parece que você tentou me resgatar várias vezes.
O vovô ergueu levemente o canto da boca. Aquele rosto se parecia um pouco com o do Duke. Fiquei convencido, mais uma vez, de que o sangue realmente os conecta.
…Nunca soube que o rei tinha tentado ajudar o vovô. Oficialmente, ele era tratado como morto.
Mesmo eu, que já tenho acesso a bastante informação… …deve ter sido através das cartas do Duke.
Se alguém descobrisse que o rei estava tentando ajudar alguém do vilarejo da pobreza, a posição dele ficaria em risco. Deve ser informação que só o rei e o Duke conheciam.
Duke, você não está se movendo secretamente demais? Nunca imaginei que você estivesse agindo tanto assim por trás das cortinas.
— Nunca imaginei que fosse chegar um dia em que odiaria minha própria mãe tanto assim.
Ele disse isso com a voz levemente trêmula.
— Não consegui fazer tão bem quanto o irmão. Por isso, pensei em pedir ajuda à Santa.
Faz sentido o rei ter uma obsessão tão forte pela Santa. De fato, com uma Santa por perto, o reino fica seguro.
Comparado a um rei tolo que só enriquece a si mesmo, essa foi uma boa decisão. Dá pra ver claramente que ele fez o melhor que podia, à sua maneira.
— Você se esforçou bastante, hein.
O vovô disse isso calmamente.
Aquelas palavras sinceras com certeza tocaram fundo o coração do rei. Ele ficou paralisado, só olhando pro vovô.
— Que bom mesmo que o senhor esteja vivo…
O rei murmurou isso baixinho, como quem saboreava cada palavra.
De fato, sendo mandado pro vilarejo da pobreza, não seria nada estranho se tivesse morrido. Vivendo com essa ansiedade constante, o rei continuou procurando o vovô, tentando ajudá-lo.
Deve ter sido tudo ou nada quando o Duke mandou aquela carta pro vovô também.
Essa história é uma sequência de milagre atrás de milagre… …É interessante como, no fim das contas, tudo isso gira em torno da Alicia e acaba dando certo. Quem, afinal, ela é de verdade?
— A mãe do senhor está bem?
Diante das palavras do vovô, o rosto do rei ficou um pouco tenso.
— …Ela deve continuar bem, já que ainda há movimentos suspeitos acontecendo nos bastidores.
— Ela é impressionante mesmo. Quase não deixa brechas. Nunca se sabe o que ela está tramando.
Se até o vovô fala assim, deve ser realmente uma pessoa fora do comum.
Tenho até vontade de ver como ela é. Claro, não quero me meter em nada com ela, longe disso.
— …Foi o senhor quem educou a Alicia e aquele garoto?
O rei perguntou isso de repente, como quem percebeu algo.
— Foi. Mas os dois são muito mais competentes do que eu.
A voz do vovô voltou ao tom de sempre. Então é essa a voz suave que ele usa quando fala de nós.
— A atmosfera que os dois transmitem se parece um pouco com a sua. O jeito afiado que os olhos deles ficam, de vez em quando.
— Que honra.
A honra é minha, gritei isso mentalmente.