Capítulo 242
— Vamos entrar logo. O rei está esperando.
Não consigo evitar a sensação de que só eu estou ficando pra trás nessa conversa, mas preciso seguir em frente.
O vovô assentiu de leve com a cabeça. Ao mesmo tempo, um guarda abriu a porta pesada.
Uma tensão pairava no ar. Dessa vez, a situação é diferente do normal. Também endireitei a postura e entrei junto.
O rei estava sentado numa cadeira luxuosa, com entalhes minuciosos e delicados.
Parecia imponente, mas, no exato instante em que viu o vovô, a expressão dele mudou.
Naquela expressão não havia raiva nem repulsa nenhuma — era uma mistura de alegria e culpa. Ele estava simplesmente comovido por finalmente conseguir ver o vovô de novo.
Dava pra ver os olhos dele bem arregalados, as pupilas tremendo levemente.
— Quanto tempo, hein.
O vovô disse isso com um tom de voz um pouco mais jovial do que o normal.
Não chega a ser exatamente um reencontro emocionado entre irmãos, mas era inegável que o rei estava feliz por poder ver o irmão mais velho de novo.
Foi a primeira vez que achei o rei "infantil" — na frente do irmão mais velho, ele mostra o rosto de irmão caçula.
Ou melhor, o vovô devia falar sempre com esse tom mais jovial. Com o rosto bonito que tem, casar de novo nem seria impossível.
— Luke.
O vovô chamou o nome do rei com uma voz calma. O rei se sobressaltou diante daquela voz e voltou a si.
— Irmão… quanto tempo.
O rei está usando tratamento formal com o vovô… Preciso contar isso a todo mundo quando voltar ao vilarejo.
A voz dele estava carregada de tensão.
— …Esses olhos são…
— São da Alicia.
— Então ela realmente…
Ele arregalou os olhos.
Faz sentido, né. Ouvir isso da minha boca é bem diferente de confirmar com os próprios olhos.
E, pelo que sei, o assunto dos olhos dela nunca virou nenhum grande alvoroço entre as cinco grandes famílias… …bom, com uma santa daquele calibre por perto, também não tem muito jeito.
— Parece que ela acabou sendo exilada, no entanto.
O vovô disse isso alegremente, sem demonstrar nenhum sinal de tristeza.
Na frente da Alicia e de mim, ele sempre foi um vovô gentil e sábio, mas, depois de virar líder do vilarejo da pobreza, ganhou ainda mais autoridade. E agora, conversando com o rei, ele parece uma pessoa completamente diferente.
…Sinto que ele está ficando cada vez mais jovem.
— O caso dela está a cargo do Duke.
— Você teve um filho e tanto pra lidar, hein.
— De verdade, ele é competente demais, a ponto de eu quase perder meu lugar. …Irmão, eu tenho algo que preciso dizer ao senhor.
Dizendo isso, o rei se levantou da cadeira e deu alguns passos na direção do vovô.
Os movimentos do rei eram um pouco rígidos. Deve ainda estar tenso.
— Sei que um pedido de desculpas não é suficiente pra perdoar o que aconteceu. Mas, por favor, perdoe a loucura da minha mãe. Sinto muito, de verdade.
Ele disse isso devagar, com cuidado, e fez uma reverência profunda.
…Ele se desculpou. O rei se desculpou com o vovô.
Fiquei observando aquilo em silêncio, surpreso. Por um momento, a sala inteira ficou envolta em silêncio. Essa tensão estranha fazia meu coração bater mais rápido.
O que será que o vovô vai dizer? Todos esperavam pelas palavras dele.
— Não tem motivo pra pedir desculpas, você não fez nada de errado, pra começar.
Diante daquelas palavras, o rei ergueu o rosto.
— Pensando bem agora, o problema fui eu, que não soube lidar bem com a situação. Confiei demais no meu próprio poder e baixei a guarda.
Fiquei hipnotizado, sem querer, diante do vovô, capaz de dizer uma coisa dessas mesmo tendo sido enganado e sofrido tanto.
Sem nenhuma ironia, sem nada — ele estava falando isso de coração, genuinamente.
Eu jamais conseguiria fazer isso. Diante da mesma situação, só teria duas opções: fazer a pessoa passar pelo mesmo sofrimento, ou tirar uma vingança ainda mais cruel. …Será que minha personalidade é ruim demais?
— Nesse mundo, coisas tão sujas quanto essa acontecem aos montes.
O rei não disse nada. Ou melhor, provavelmente não tinha o que dizer.
O vovô continuou falando.