Capítulo 246 – Dezesseis Anos, Filha Mais Velha da Família Williams, Alicia
— Ei, Albert, o que você acha?
Diante da pergunta repentina do Kate, Albert franziu a testa.
— Do que você está falando?
— Aquele garoto, o Ria. Ele tem potencial?
Com o Neel por perto, Kate falava com um pouco de hesitação, cuidando pra não deixar escapar que Alicia é mulher.
— Ainda não sei dizer.
Albert respondeu de forma seca. Mark não disse nada, só ficou ouvindo a conversa dos dois.
— Aquele garoto vai se transformar em algo grande, aposto.
Kate murmurou isso com um tom de diversão.
—
Sem saber de nada dessa conversa acontecendo em terra firme, eu continuava mergulhando fundo no lago.
Argh, que fedor!
Não é lama de verdade. Achei, por um instante, que a sujeira fosse só aparência e que o interior do lago pudesse ser incolor e transparente — que boba fui, ter tido essa esperança.
Avancei com todas as forças através da água esbranquiçada e turva. Sem abrir a boca, ia soltando o ar aos poucos pelo nariz.
Atrás de mim vinha o Capitão Marius, movendo o corpo pesado com dificuldade. Ao lado dele, o Victor e o Keres. Um pouco mais atrás, o Gerald parecia estar sofrendo bastante.
Parece que ele vai soltar a respiração a qualquer momento… será que ele está bem?
Não é hora de me preocupar com os outros, mas acabei me virando pra trás, preocupada com ele.
Victor, ao perceber meu olhar, fez um sinal rápido com a mão pra que eu olhasse pra frente. Estava dizendo pra não me preocupar com os outros soldados. Pra pensar só no nosso destino, lá no fundo do lago.
"Soldado é peça descartável."
As palavras que o Victor tinha dito antes voltaram à minha cabeça.
O Gerald provavelmente vai acabar absorvendo o veneno. Não sei se isso vai resultar em morte, mas, do jeito que ele está, parece impossível conseguir subir à superfície agora.
Um arrepio gelado percorreu minha espinha ao pensar nisso.
Preciso cumprir essa missão andando lado a lado com a morte. Aquilo que o Victor quer conseguir, no fundo desse lago, é algo pelo qual ele está disposto a sacrificar até os próprios companheiros… Vou sobreviver, custe o que custar.
Apertei ainda mais a determinação e continuei mergulhando fundo em direção ao interior do lago.
Já estou quase sem fôlego também. Mais um pouco de resistência. Aguenta firme, Alicia.
Aos poucos, foi ficando cada vez mais difícil, e, resistindo ao impulso de me debater, continuei mexendo braços e pernas.
Nadava desesperadamente por aquela água morta, sem nenhum peixe sequer nadando. De repente, avistei um buraco aberto numa rocha.
Do tamanho de uma pessoa adulta, mais ou menos.
Olhei rapidamente pro Victor. Ele apontou o dedo, indicando que eu deveria entrar ali.
Segurei a rocha com força e, lutando contra a pressão da água, forcei o corpo pra dentro do buraco. No instante em que consegui enfiar a metade superior do corpo, fui empurrada com uma correnteza absurdamente forte. Foi tudo tão rápido que mal consegui entender o que estava acontecendo.
O QUÊ!!?? O que está acontecendo?
Me senti como se estivesse numa atração de parque de diversões. Só que, nesse caso, respirar é estritamente proibido.
Fechei bem a boca e apertei o nariz com os dedos.
Se eu não conseguisse voltar assim, com certeza ia morrer afogada.
………..Ah, é verdade, eu tenho magia. É isso mesmo, eu consigo usar magia. Não, mas, no meu disfarce atual, se supõe que eu não posso usar, então melhor não usar mesmo.
E, além disso, transformar água em ar deve ser algum tipo de magia de água, acho. Chega a ser engraçado como as magias exclusivas costumam ser bem específicas assim.
— Aaah!!
Enquanto eu pensava nisso, fui jogada, junto com a correnteza, num grande platô de pedra achatado.
Ao mesmo tempo, inspirei fundo, com força. Consegui respirar. O oxigênio invadiu meu corpo de uma vez.
Ofegante, respirando com dificuldade, consegui chegar até ali sem absorver nenhuma gota de veneno. Depois de mim, na sequência, Victor, o Capitão Marius e o Keres foram jogados no platô de pedra também.