Capítulo 250
Marius e Keres avançavam pra dentro, conversando sobre coisas triviais.
— Sabe, o Príncipe Victor parece gostar bastante daquela baixinha.
Diante das palavras do Keres, Marius respondeu depois de um pequeno intervalo.
— No começo, foi o próprio rei quem gostou dele. Faz sentido o príncipe também gostar.
— Que garoto estranho, hein. Com essa idade, sem demonstrar medo, encara tudo com tanta tranquilidade… Que tipo de criação faz alguém virar assim?
— Deve ter tido uma vida bem mais dura do que a gente imagina.
— Bem longe da vida luxuosa dos nobres, hein~.
— Mesmo assim, dizem que ele não pareceu nem um pouco impressionado ao ver o interior do castelo.
— Que capacidade de adaptação incrível, parece até um animal.
Conversando sobre isso, eles pararam num certo ponto.
Diante deles, apareceu uma escada que descia. Estava completamente escuro, e, mesmo forçando a vista, não dava pra ver o que havia lá embaixo.
— O que fazemos?
— Não tem outro jeito a não ser ir.
Marius respondeu de imediato à pergunta do Keres.
Com uma expressão decidida, os dois desceram devagar as escadas.
—
— O que é isso?
Assim que ouvi a voz do Victor, sem querer, semicerrei os olhos.
De repente, meu campo de visão ficou claro. Levou um tempo pros meus olhos se ajustarem.
Que luz é essa? Dentro d’água, tem luz… isso já não é vale-tudo demais? Me sinto como se tivessem apontado uma lanterna direto pra mim.
— Não tem outro jeito a não ser caminhar em direção à luz.
Victor disse isso e, sem hesitar nem um pouco, foi avançando cada vez mais.
Devíamos estar sendo mais cautelosos a partir daqui… Ele realmente não tem medo de nada.
O caminho foi ficando cada vez mais estreito. Proporcionalmente, a intensidade da luz foi aumentando.
…Que bom que este caminho não ficou com o Capitão Marius e os outros. Ele nunca conseguiria passar por aqui.
Conseguimos passar, com dificuldade, por um caminho estreito o bastante só pra uma pessoa. Diante da minha visão, apareceu uma cachoeira enorme. A água caía com força total. Era um lugar parecido com uma grande praça aberta, e respirar ficou um pouco mais fácil do que antes.
Muitas trepadeiras, musgo, e até pequenas flores cobriam as paredes. Era um lugar tão fantástico que, por um momento, fiquei simplesmente hipnotizada, admirando aquilo.
Parecia um lugar que sairia num daqueles livros de "belas ruínas abandonadas". Quem imaginaria que existisse um lugar tão bonito assim dentro daquele lago imundo e nojento?
— O que é aquilo?
Segui o olhar do Victor.
Bem no meio da cachoeira, havia um único ponto onde a água não caía. A água escorria evitando justamente aquele lugar específico. …Tem alguma coisa ali.
Forcei bastante a vista. Como meus olhos estão cobertos por um pano, a imagem ainda ficava um pouco borrada. Uma coisa eu conseguia perceber: aquilo tinha uma forma parecida com a de uma pessoa.
…Uma boneca? Não pode ser um humano tão pequeno assim.
Eu realmente gostaria que parassem de encaixar elementos de terror desse jeito, do nada. Se for pra ter alguma coisa ali, que pelo menos seja humana. …Não, pensando bem, um homem de meia-idade e gordo em pé no meio de uma cachoeira também seria bem assustador.
— Finalmente encontrei.
Ao meu lado, o Victor murmurou isso baixinho.
— Aquilo é a fonte do lago?
— É. Aquela fada é a fonte do lago.
Ele disse isso com uma voz firme e confiante.
Fada? Aquilo é uma fada? Espera, esse mundo tem fadas?
Primeira vez que ouço isso. Depois de ler tantos livros, é constrangedor não saber nem da existência de fadas. Preciso estudar mais.
Mais do que tudo, que bom que não é uma boneca.
— Então, se você conseguir capturar essa fada, você vira rei?
— Isso mesmo. Vou conseguir superar meu irmão.
— …Uma última tentativa desesperada do segundo príncipe?
Falei isso de propósito, esperando irritá-lo.
Desde que comecei o disfarce de garoto, não fiz nenhuma fala digna de vilã, então achei melhor soltar uma agora.
— Algum problema com isso?
Parece que magoei o orgulho dele — Victor respondeu com uma voz um pouco mais baixa.
— O primeiro príncipe é competente?
— Não sei, nem quero saber, sobre aquele cara.
Ele respondeu de forma incomodada à minha pergunta e começou a caminhar em direção à cachoeira.
O primeiro príncipe, eu só vi uma vez, naquele coliseu. Um homem tranquilo, de cabelo comprido e loiro igual ao do Victor.
Pelo jeito como o Victor se comporta, dá pra ver que ele realmente não gosta muito do próprio irmão. Assim como na minha casa, entre irmãos também tem seus próprios dramas, hein.