Capítulo 249
O chão estava um pouco escorregadio, e o ar, úmido. Parecia que tinha chovido ali dentro.
O som de água correndo ia ficando cada vez mais próximo.
Victor foi apertando o passo, tocando de leve na parede levemente molhada.
— Como você disse, parece que tem água mesmo lá na frente.
A voz dele ecoou pelo espaço.
De alguma forma, parece que estamos dentro de um túnel.
— Como será, afinal, a fonte desse lago?
— Não sei. …O que você acha que é?
Não devolve pergunta com pergunta. Nem consigo imaginar. Sendo assunto deste reino, o príncipe deveria saber mais do que eu.
— Você não consegue responder?
— Existe um limite pra prever algo só com conhecimento já existente.
— Imagina, então. Você é boa nisso, né?
— Que pedido absurdo. …Uma pedra preciosa pequena, talvez?
— Não é uma má resposta.
Não sei que resposta seria a "certa". Bom, talvez nem exista resposta certa mesmo.
Mas esse tipo de poder costuma envolver magia… ah, é isso!?
Será por isso que ele quis ir comigo? Mas ele ainda não descobriu que eu sei usar magia…
Por mais perspicaz que o príncipe seja, não deveria conseguir enxergar que tenho poder mágico.
— Sabe, você se parece um pouco com o Albert.
O quê? O que ele acabou de dizer?
Calma, Alicia. Não posso deixar transparecer nenhum nervosismo.
— Não quero ser comparada com aquele avô.
— Que grosseria, hein.
— Não é só porque temos o mesmo cabelo preto que você acha isso?
— Eu vejo o seu rosto, sabia.
Ah, é verdade, meu rosto já foi completamente descoberto por ele.
— Você conhecia o Albert?
Não respondi nada. Ou melhor, se eu respondesse de forma errada, poderia acabar entregando alguma coisa, então preferi ficar calada.
Com certeza o Victor já percebeu que estou fingindo não saber de nada.
Ele deve ter pensado que eu tenho algum parentesco com ele, e foi por isso que quis vir por este caminho comigo — pela possibilidade de eu ter magia.
Fazer os avôs nadarem nesse lago seria pesado demais. Claro que eu, mais jovem, seria melhor pra isso.
— Vou mudar a pergunta. O que você sentiu ao ver ele?
Victor se virou pra mim.
O Victor sabe que meus avôs foram exilados aqui. Sabe também minha idade. Ou seja, deve ser fácil pra ele imaginar que meu avô e eu nunca nos encontramos antes.
Mentir de forma estranha aqui não teria sentido nenhum pra ele. Mas, ao mesmo tempo, não posso revelar minha identidade real neste momento.
— Não sei o que você está imaginando, mas não decida por conta própria. Eu não tenho nenhuma relação com ele.
— Sabe qual é o seu lugar? Pra quem você acha que está mentindo?
Dizendo isso, ele agarrou minha roupa na altura do peito, com força total.
Um tom forte, um pouco áspero. Olhar afiado. O ar congelou num instante. Diante daquele clima de quem parecia prestes a me matar a qualquer momento, quase deixei transparecer fraqueza.
Não posso mostrar fraqueza aqui. Me encorajei e ergui o canto da boca, mantendo uma expressão tranquila.
— E se eu dissesse que tenho parentesco com ele, o que você faria? Vai me trancar numa masmorra? Ou vai me tratar bem? …Por que, afinal, o príncipe escolheu justamente eu pra ser a sua dupla?
Diante da minha pergunta, senti a força da mão dele, segurando minha roupa, diminuir um pouco.
— Se existe alguém útil, é natural usar essa pessoa. Fico aliviada de saber que pensamos da mesma forma. Por isso, quando chegar a hora, eu também vou aceitar ser usada direitinho.
Ele soltou minha roupa devagar.
— …Sério, uma pirralha como você é bem complicada.
Ele deu um sorriso amargo, meio resignado. E, então, virou-se pra frente e começou a caminhar de novo.