Capítulo 248
— Você me abandonaria e fugiria sozinha?
Ele repetiu isso, olhando fixamente pra mim.
Abandonar… isso seria o cúmulo do mau gosto!
É verdade que não tenho absolutamente nenhuma lealdade a este reino ou ao próprio príncipe, mas não sou esse tipo de pessoa covarde.
Uma vilã que se preze nunca faria isso. Se eu fizesse isso, com certeza os fantasmas das vilãs de todas as épocas viriam me esfaquear enquanto eu dormo.
— Eu também não quero morrer, então, mesmo contrariada, vou te ajudar.
Diante das minhas palavras, os três fizeram uma expressão de confusão.
— De qualquer forma, prefiro morrer no lugar do príncipe do que virar esse tipo de pessoa covarde.
— O que é isso, afinal… ou melhor, é meio óbvio dar a própria vida por Sua Alteza, você deveria saber disso.
Ah, é verdade. Agora eu faço parte do batalhão que protege o Victor. Se não é pra proteger o príncipe, então o que exatamente é pra proteger?
Fiquei surpresa comigo mesma, ao ouvir as palavras do Capitão Marius.
— Bom, ela é assim mesmo. Dá pra confiar.
"Dá pra confiar" — adoro ouvir essas palavras. Sinto que finalmente fui reconhecida.
Tem muita gente que, mesmo depois de anos de convivência, não é digna de confiança.
— Quando o príncipe estiver em perigo de vida, eu vou ajudar debochando na cara dele.
Falei isso com uma expressão séria e determinada, com toda a firmeza. No mesmo instante em que terminei de falar, um punho grande caiu na minha cabeça.
— Ai!
Ei, Victor, será que ele esqueceu que eu sou mulher?
Sou uma mulher que parece forte assim, e tudo bem me bater até sangrar a cabeça?
…Desse jeito, vou acabar parecendo masoquista.
— Príncipe, por favor, não esqueça. A baixinha não enxerga nada.
O Victor sabe muito bem que eu enxergo tudo direitinho. Se não fosse assim, ele não teria mandado alguém como eu mergulhar primeiro no lago.
Não é como se minha visão fosse perfeita, mas dá pra captar a maior parte das coisas ao redor.
Mais do que a questão dos olhos, o que realmente me incomoda é estar vestindo roupas encharcadas.
…Ou melhor, sendo estranho eu mesma dizer isso, mas o Capitão Marius e o Keres também são meio lerdos, hein. Já não seria estranho eles perceberem que eu enxergo, ou até que sou mulher.
— É a criança que enfrentou um leão. Se ela morrer, com certeza vai acontecer alguma catástrofe natural.
Isso foi um elogio, né?
— "É verdade" — as vozes do Capitão Marius e do Keres se sobrepuseram.
— Então, qual caminho a gente segue?
— Qual você prefere?
— Já estou cansada de água, prefiro não ir pro lado onde tem água.
— …Água?
O Victor franziu a testa diante das minhas palavras. Os outros dois também inclinaram levemente a cabeça, confusos.
— Não dá pra ouvir esse som fraco de água correndo, vindo desse caminho aqui?
Apontei pro caminho da direita. Eles ficaram em silêncio, tentando escutar com atenção, mas parece que não conseguiram ouvir nada.
…De fato, desde o dia em que dei um dos meus olhos pro tio Will, minha audição realmente foi melhorando cada vez mais. Preciso agradecer ao tio Will por isso.
— Não estou ouvindo nada, mas, se você está ouvindo, então deve ter água nesse caminho mesmo.
— Perder a visão desenvolve a audição, é isso, hein.
O Capitão Marius me olhou fixamente, impressionado.
— Então, vamos por esse caminho aqui.
O Victor virou o corpo em direção à direita.
— Espera, eu tinha acabado de dizer que não queria ir pro lado com água.
— É justamente por isso que vamos.
Ah, é verdade, o Victor é assim mesmo. Tinha esquecido.
Deixei os ombros caírem, desanimada, e lancei um olhar de leve reprovação pro príncipe.
— Você realmente tem uma personalidade e tanto, hein.
— Sempre me dizem isso.
Ele riu com satisfação, mas eu não sinto a menor alegria com isso.
— Vocês, fiquem vivos.
O Victor disse isso e começou a caminhar. Corri apressada atrás dele.
Será que aquelas palavras de agora há pouco foram uma forma, à maneira dele, de se preocupar com os subordinados?
A caverna estava escura, mas o cabelo dourado do Victor se destacava bem.
Que bom que ele é loiro. Mesmo que eu o perdesse de vista, conseguiria encontrá-lo rapidinho.