Capítulo 253
— Acordar?
Victor franziu a testa diante das minhas palavras.
— Se ela está dormindo, talvez, ao acordar, a gente descubra alguma coisa.
— E se, com isso, a situação piorar ainda mais?
— Só vamos saber tentando. Desde quando você virou um príncipe tão conservador assim? Ou então, você tem alguma outra solução?
Sem conseguir rebater, ele ficou calado.
Se a situação piorar ainda mais, aí a gente resolve na hora. A situação atual já é desesperadora do mesmo jeito.
— Está bem. Vamos acordá-la.
— ………..Como, exatamente?
— Sei lá! Foi você quem sugeriu isso! Eu nunca acordei uma fada na vida. …Com você por perto, dá pra perder toda a tensão da situação.
Dizendo isso, o Victor deixou os ombros caírem, desanimado.
…Será que dá pra acordá-la com magia também? Vale a pena tentar. Se isso der certo, quem sabe eu não escrevo um livro sobre "como acordar fadas" e faço uma grana com isso.
Pensando nisso, concentrei toda minha atenção na fada que dormia tão tranquilamente.
O vento começou a soprar pra cima, o ar ao redor ficou tenso. O fluxo da água foi diminuindo o ritmo.
— Impressionante.
O murmúrio baixo do Victor não chegou aos meus ouvidos; eu só continuava direcionando magia contra a fada, insistindo mentalmente "acorda".
"Nunca tinha recebido tanta pressão assim antes."
Uma voz alta e cristalina ecoou dentro da minha mente. Ao mesmo tempo, afrouxei minha força.
A fada, ainda na mão dele, cobria a boquinha com a mão pequena, bocejando.
— "Acordou" — minha voz e a do Victor se sobrepuseram. Diante de nós dois, olhando com os olhos arregalados, a fada fez uma expressão de leve incômodo.
"Ah! Meu paraíso, que eu construí com tanto cuidado, sendo lindamente destruído!"
Ela se levantou na mão do Victor e ergueu a voz, olhando ao redor.
— Era um paraíso, então.
— Hã? Do que você está falando? Um "paraíso" desses, ninguém nunca ia vir aqui.
— Pra ela, era sim.
Diante do Victor, com o rosto franzido, olhei pra fada.
"Vejam só, os humanos sempre julgam pela aparência mesmo, né. Mesmo que o interior possa estar cheio de joias, se por fora parece sujo, ninguém sequer tenta conhecer o que tem dentro. Por isso, este lugar, onde ninguém me incomodava, era o meu paraíso."
— Sinto muito por termos destruído seu paraíso por egoísmo nosso. Me desculpe.
— …Ei, pirralha, você entende o que essa aí está dizendo? Um monte de coisa sem sentido?
Victor me olhava como quem vê algo estranho.
Coisa sem sentido? Ela está falando normalmente… o que ele quer dizer com isso?
"Ah, é porque você tem um poder mágico muito forte. Não é nada estranho você conseguir entender minhas palavras."
— Entendi.
— O que você entendeu, afinal? Explica pra mim também.
— Ela disse que, como eu tenho poder mágico, consigo entender as palavras dela.
Enquanto conversávamos despreocupadamente sobre isso, já estávamos com metade do corpo submersa na água. Desde que ela acordou, a força da correnteza tinha aumentado ainda mais.
…Isso sim é literalmente uma bandeira de morte iminente. Depois de finalmente conhecer uma fada, de jeito nenhum eu quero morrer justo aqui.
— Ei, me conta como a gente sai daqui.
"Ah~, você atrapalhou meu sono. Por que eu ajudaria humanos?"
A fada nos olhava com um ar de puro incômodo.
Bom, faz sentido mesmo. Mas humanos são egoístas assim mesmo. Vou forçá-la a nos mostrar a saída, nem que seja à força.
Apliquei pressão mágica sobre ela e a encarei com um olhar sério.
— Chega, me conta logo.
"Está bem! Já entendi, para logo com isso!"
No exato instante em que ela gritou aquilo, afrouxei minha força.
"Inacreditável. Se você fosse uma Santa, deveria estar sendo mais gentil, mais carinhosa com fadas, usando políticas de conciliação e essas coisas."
— Santa? Eu sou uma vilã.
"…Você não tem consciência disso mesmo, hein."
Quase respondi "do que você está falando, existe uma Santa e tanto no meu reino", mas me segurei a tempo.
O Victor estava bem ali. Se o reino de Lavarre andava mesmo procurando uma Santa, de jeito nenhum eu poderia dizer isso em voz alta.