Capítulo 255
Ao mesmo tempo em que a Kii subia, nós também subíamos desesperadamente, nos debatendo.
Com certeza, tanto eu quanto o Victor devíamos estar com expressões bem sofridas agora. Uma vilã deveria manter sempre a compostura, mas…
"Já está quase lá."
Junto com a voz dela, saímos da água de uma vez e respiramos fundo.
— Haa, haa, haa.
Ofegante, fui em direção ao platô de pedra.
Já não sobra nem um pouco de energia. Será que vou conseguir voltar pra superfície daqui?
— Aqui é o lugar onde chegamos primeiro.
Regularizando a respiração, o Victor olhou ao redor.
Como ele consegue ter tanta energia assim? Será um super-humano? Ele podia respirar com mais dificuldade também, mostrar um pouco de fraqueza, viu.
Não precisava avaliar a situação tão rápido assim. Faz eu me sentir uma pessoa fraca em comparação.
"Que capacidade pulmonar vocês dois têm… impressionante."
A Kii nos olhava com os olhos arregalados.
Ser elogiada pela minha "capacidade pulmonar" por uma fada que nem parece cansada… não sei se fico feliz.
Subi no platô de pedra e cobri os olhos com o pano completamente encharcado.
Que sensação horrível, mas não tem jeito. Só nesse ponto, preciso aguentar.
— Você ainda quer enrolar essa coisa de novo?
— Não é porque eu quero, é porque tenho que fazer.
— É porque não pode deixar o Albert descobrir, né.
— Não conta nada pra ele.
— Não vou ficar falando essas coisas chatas por aí.
…Que surpresa. Achei que o Victor achasse graça nesse tipo de assunto.
Será que é por minha causa? Não, ele não é um homem tão gentil assim.
— Bom, se você quiser saber sobre o Albert, é só ir naquela torre que você consegue descobrir a qualquer momento.
— A torre?
— A torre onde ninguém consegue subir. Tem magia ali, né? …Aquele lugar é o refúgio de descanso do Albert. Eu mesmo não consigo entrar, mas você, sendo pirralha, provavelmente consegue.
Sinto que o Victor já sabe absolutamente tudo sobre mim.
— Não vou lá. Não vou correr de cabeça pra dentro de uma bomba desse jeito.
— …Não, você vai acabar indo.
Fui vítima de uma previsão. Chegando a esse ponto, sinto ainda mais vontade de não ir de jeito nenhum, mas, ao mesmo tempo, sinto que, algum dia, acabo indo mesmo.
Não quero que aconteça exatamente o que o Victor previu, mas também não quero perder a chance de conhecer meu avô…
Vou deixar isso pro fluxo natural do tempo decidir!
"Alguém está vindo."
Enquanto eu chegava sozinha a essa conclusão interna, ouvi uma voz vinda do caminho por onde tínhamos entrado.
…Será a voz do Capitão Marius e do Keres? Que inveja, conseguir voltar pelo mesmo caminho que veio.
— Aaaaaaaaah.
Era baixo, mas dava pra ouvir com clareza.
…Isso é um grito.
"Ah, eles foram parar naquele outro caminho, né."
— O quê?
"É melhor fugir logo."
— O que ela disse?
Victor me olhou pra confirmar o que a Kii tinha dito.
— Ela disse pra fugir logo.
— Por quê?
— Não sei, mas, se dá pra ouvir os gritos do Capitão Marius e do Keres, com certeza é algo bem sério.
— Se é sério, fala com um tom mais desesperado! Ou melhor, eu nem consegui ouvir voz nenhuma deles!
— Aaaaaaaaah! Não vem! Não vem!
Que timing perfeito. Dessa vez, com certeza até os ouvidos do Victor conseguiram ouvir claramente.
— O que é que está acontecendo com esse lago, afinal…
— Com magia envolvida, nada é estranho demais pra acontecer.
— Por que você está tão calma assim? Não tem ninguém normal por aqui.
Que falta de educação. Eu sou perfeitamente normal, viu.
— Príncipe~~! Fujam logo, por favor~~!
Dizendo isso, o Keres saiu correndo com uma expressão de puro pavor. Um pouco atrás dele, o Capitão Marius também apareceu.
Capitão Marius, como você consegue correr tão rápido com esse tamanho de corpo? No fim das contas, o capitão é impressionante mesmo.
— O que é aquilo, afinal?
Segui o olhar do Victor.
…O que é isso? Uma quantidade enorme de crânios rolando na nossa direção.
Por que, de repente, a cena virou um filme de comédia de terror? Como será que conseguiram guardar tantos crânios assim ali dentro?
Olhei pra Kii. Ela colocava uma mão na nuca e mostrava a língua, com um ar de "ops".
— Vamos fugir logo.
Victor segurou meu braço e, sem hesitar, mergulhou comigo direto de volta pro lago envenenado.