Capítulo 256
Talvez por ter mergulhado com ímpeto demais, um pouquinho da água do lago acabou entrando na minha boca.
…Um pouquinho assim deve estar tudo bem, né. Não acho que isso baste pra morrer. Afinal, normalmente sou extremamente saudável.
A Kii, com as finas asas transparentes recolhidas compactamente nas costas, nadava com uma forma linda.
O Keres e o Capitão Marius, mesmo sem exagero nenhum na educação, se moviam desesperadamente com braços e pernas de um jeito nada elegante. Depois de correr tanto, ainda ter que nadar segurando a respiração de novo — isso é praticamente tortura. Desgraça sobre desgraça.
O Victor, mesmo com o rosto levemente franzido, mantinha um certo ar de tranquilidade.
Como será, afinal, a capacidade física dele? Adoraria que cientistas do mundo inteiro o estudassem. Se ele morresse, com certeza seria dissecado.
Seguíamos desesperadamente a fada, mas a saída ainda estava longe. Aqueles crânios estranhos já não nos perseguiam mais, mas agora era uma batalha contra mim mesma.
Não conseguir respirar é literalmente um inferno. Sinto que a coisa mais essencial pra viver é conseguir absorver oxigênio.
Será que ainda falta muito…
"Só mais um pouquinho."
Como se tivesse lido meus pensamentos, ouvi a voz cristalina da fada.
"Um pouquinho" pra uma fada, quanto tempo será isso, exatamente?
Talvez por ter gasto muita energia no mergulho anterior, minhas forças estavam quase no limite. E, ainda por cima, tinha usado bastante poder mágico. Praticamente não sobrava mais nenhuma energia.
Enquanto eu pensava nisso, um impacto absurdo atingiu minha cabeça de repente.
O-o que é isso? Parece que fui socada com toda a força por alguém.
Minha visão se distorceu. Uma sensação horrível. Segurei com força a vontade de vomitar. Meu corpo ficou pesado de repente, e eu não conseguia mais nadar direito.
Quem percebeu primeiro que algo estava errado comigo foi o Victor. Talvez tenha entendido na hora que eu tinha absorvido veneno — fez uma expressão franzida, quase dizendo "droga" em voz alta.
Ah, será que minha vida acaba aqui, afinal?
Convivi com ele por um tempo curto, mas já conheço bem a personalidade dele. Ele abandona soldados sem piedade nenhuma.
Pra ele, eu não passo de uma peça pra ele se tornar rei. Será que vou perder a vida aqui, do mesmo jeito que o Gerald perdeu ao vir pra cá?
………..Mas eu ainda nem virei uma vilã de verdade?
Não posso morrer num lugar desses. Suportando a sensação de que ia desmaiar a qualquer momento, forcei os olhos a ficarem abertos.
Que bom que esse lago estranho não deixa o veneno entrar pelos olhos.
Enquanto eu pensava nisso, de repente, o Victor se aproximou de mim. Me segurou com força, me envolvendo firmemente.
Como? O que está acontecendo?
O Keres e o Capitão Marius, mesmo nadando, ficaram surpresos com a atitude dele. Ninguém imaginaria que aquele príncipe fosse me ajudar.
Segurando-me, ele continuou avançando, seguindo a fada.
…Será que eu já morri? Isso significa que estou indo pro céu?
Não, mas ainda não consigo respirar, ainda dói. …Isso é real, o Victor está arriscando a própria vida pra me salvar.
Inacreditável. E, além disso, de onde vem tanta força assim, afinal?
Será que o Victor também é algum tipo de parente das fadas? Ele é excepcional o bastante pra isso.
Dava pra sentir a superfície da água cada vez mais próxima. Uma luz solar fraca penetrava naquela água suja e escura. Todos, com o último fôlego, se moviam com força total em direção à superfície.
Se ultrapassarmos isso, vamos conseguir voltar vivos. Senti como se estivesse testemunhando, de perto, o exato momento em que alguém se agarra desesperadamente à vida, lutando por ela.
De repente, meu rosto foi liberado da água, e meu corpo inspirou uma quantidade enorme de ar.
Tentando não engolir aquela água, consegui respirar. O Vice-capitão Neel veio correndo apressado, com uma toalha nas mãos.
O Victor, ainda me segurando, deitou de forma brusca no chão sujo. Todos desabaram no chão, ofegantes, respirando desesperadamente.
Só o som de respirações pesadas ecoava pela floresta.
— C-conseguimos… voltar… vivos.
O Capitão Marius murmurou isso baixinho.
Que provação difícil essa foi. Estou me sentindo péssima, quase morrendo, mas ainda não morri.
— O Gerald não conseguiu, hein.
Diante da voz um pouco grave do Kate, o Vice-capitão Neel, meu avô e o Mark entenderam na hora o que aconteceu.
Victor tirou a toalha das mãos do Vice-capitão Neel, enxugou o rosto de forma brusca, e abriu a boca.
— Ninguém mais pensa em quem já morreu.
Não pude deixar de pensar que a Liz-san ficaria furiosa com essas palavras.
Ninguém ali disse absolutamente nada contra ele. Não é que ninguém ousasse contrariar o príncipe por ele ser príncipe.
Mesmo que aquelas palavras soassem frias, todos sabiam que o Victor valorizava seus subordinados de verdade. Ninguém poderia culpá-lo, dizendo que o Gerald morreu por causa da ambição dele.
— Por… que… você me… salvou?
Ainda caída, respirando com dificuldade, olhei diretamente pra ele e perguntei isso com firmeza.