Capítulo 257
Depois de um pequeno silêncio, ele deu um sorriso fraco. Todos esperavam pela próxima palavra do Victor.
— Não… entendo… por que alguém que só pensa… no próprio benefício… me salvaria.
Minha cabeça estava tão quente que parecia que meu cérebro ia derreter. Consegui chegar à terra firme, mas respirar continuava tão difícil quanto dentro d’água.
Disseram que o efeito do veneno varia de pessoa pra pessoa, será que é verdade mesmo? Eu, mesmo sendo estranho eu dizer isso, sempre achei que fosse resistente a venenos.
Enquanto me observava, ele colocou a mão na minha testa. Não fazia ideia do que ele estava pensando. A mão do Victor estava fresca, e isso era, de alguma forma, reconfortante.
— Pensando no meu próprio benefício, achei que você ainda seria útil daqui pra frente.
…Ah, então ele calculou tudo direitinho antes de me salvar. Bom, isso é bem a cara do Victor mesmo.
— …Seria ótimo se eu pudesse dizer isso com convicção.
Ele estava sentado ao meu lado, com um ar meio resignado.
Diante daquele comportamento diferente do normal, todos ficaram confusos. Será que ele também engoliu um pouco de veneno e sua personalidade mudou?
Não aguentando mais a náusea que subia do fundo do peito, vomitei ali mesmo. Como eu não tinha comido nada, o que saiu foi quase só água.
Ele afagou minhas costas com gentileza. Sentindo o calor da mão dele, pensei que a posição de príncipe também deve ter suas próprias dificuldades.
O Duke-sama não tem liberdade nenhuma e não tem apego à posição de rei. O Victor, por outro lado, tem uma ambição de virar rei mesmo à custa da vida dos próprios subordinados.
Meu corpo inteiro foi ficando cada vez mais quente, e um gemido baixinho escapou. Eu não queria de jeito nenhum mostrar esse lado tão fraco…
Dava pra sentir, no ar, a preocupação genuína de todos ao redor. Meu avô se aproximou de mim.
O Victor tirou a mão da minha testa, e, no lugar dele, meu avô me tocou. Minha visão estava embaçada, então não conseguia ver direito que expressão ele fazia.
Ao ser tocada por ele, meu corpo foi ficando cada vez mais leve, aos poucos, e comecei a sentir sono. A febre estava baixando.
Sem entender direito o que estava sendo feito comigo, adormeci devagar, ainda meio grogue.
—
— O que você fez?
Diante das palavras do Victor, Albert não respondeu nada. Percebendo que ele queria que os outros se afastassem, Victor fez sinal pra Marius e os outros saírem do local.
Marius e Keres, já com a respiração normalizada, se levantaram e, junto com Neel, se afastaram dali.
Ao mesmo tempo, Mark estalou os dedos de leve e ergueu uma barreira em forma de padrão geométrico. Era pra impedir que o conteúdo da conversa vazasse pra fora.
— Você já sabe quem ela é de verdade, né?
Victor perguntou novamente ao Albert, que continuava calado. Albert abriu a boca devagar.
— Normalmente, um veneno desse nível pode ser eliminado até com um poder mágico pequeno… mas ela deve ter usado um poder mágico absurdamente forte.
Albert acariciava com gentileza o cabelo de Alicia, olhando calmamente pro Victor. Aqueles olhos pareciam enxergar tudo por completo.
Victor, mesmo se retraindo um pouco diante daquele olhar, encarou Albert de volta.
— Ela vai ficar bem?
— Injetei poder mágico no corpo dela.
"O que é essa magia dela, afinal? Isso é praticamente um monstro."
Kii interrompeu a conversa deles de repente, mas Victor não conseguia ouvir a voz dela.
A Kii, que até então ficava num canto, abriu as asas e apareceu na frente deles.
— Aliás, eu tinha esquecido completamente da sua existência.
"Ei, isso não é meio cruel?"
Diante daquela conversa, Kate soltou uma risada alta.
— Isso sim é hilário. Esquecer da própria fada, depois de vir até aqui justamente pra buscá-la…
Dizendo isso, ele olhou na direção de Alicia. A fada soltou um suspiro pequeno e se aproximou do rosto de Albert.
"O que é essa criança, afinal?"
— Nem eu sei, mesmo que me pergunte.
"Espera, mas você é o…"
— Essa criança não existia antes de eu vir pra este reino.
Albert cortou as palavras da Kii, sobrepondo a própria fala. Ele fez uma expressão severa.
"Ai, seres humanos são complicados demais, hein."
— Já terminaram de conversar?
Nesse grupo, só o Victor não conseguia entender o que a Kii falava. Talvez irritado com isso, sua voz saiu um pouco mais áspera.
"Esse príncipe é bem egoísta, hein."
— Um príncipe fica melhor sendo um pouco insistente.
— Do que vocês estão falando, afinal?
Victor franziu a testa. Naquele meio-tempo, um estalo de dedos ecoou. Mark desfez a barreira.
— É melhor descansarem por hoje.
Diante das palavras do Mark, Victor murmurou baixinho "está bem". Ao ver a barreira sendo desfeita, Marius e os outros vieram correndo até eles.
— Ahn, Alteza.
Parado na frente do Victor, o Neel falou com ele com um ar de quem estava com dificuldade de dizer algo, e o Victor respondeu com um curto "o que foi?".
— A Ria… é mulher?
A voz confusa do Neel ecoou pela floresta.