Capítulo 260
— Alteza, meu nome é Rebecca.
Ignorando o Nate, ela fez uma reverência profunda. Em seguida, todos ao redor também curvaram a cabeça. Como as pessoas deste vilarejo não conhecem etiqueta, só restava imitar a Rebecca.
Só o Nate, entre todos, não curvou a cabeça, mas a Rebecca pisou de leve no peito do pé dele, forçando-o a fazer uma reverência.
Vendo essa cena, senti de novo, com mais clareza, que ele realmente é o primeiro príncipe deste reino.
Normalmente eu falava com ele sem me preocupar muito, mas talvez isso tenha sido bem desrespeitoso.
— Tenho uma coisa que preciso dizer a todos.
Diante da voz baixa do Duke, todos começaram a erguer o rosto. A expressão séria dele trazia uma tensão pesada ao ar.
O que será que o Duke, vindo pela primeira vez a este vilarejo, quer dizer a todo mundo, afinal…
— Não importa o quão terrível e decadente este lugar seja, existem pessoas pra quem este é o lar de origem. Mesmo que ninguém queira voltar a um vilarejo assim, ele nunca mais vai voltar à forma atual. Mesmo sendo um lugar tão devastado, foi aqui que todos vocês cresceram. Talvez nem todas as memórias sejam ruins…
— Não precisa de preâmbulo.
Rebecca interrompeu a fala dele sem nunca desviar o olhar.
Eu também achei estranho o comportamento dele. O Duke normalmente não fala de forma tão longa e cuidadosa assim. Deve estar, à sua maneira, considerando os sentimentos dos moradores deste vilarejo.
Depois de uma pequena pausa, Duke voltou a falar.
— …Este vilarejo vai ser transformado, e virará uma base militar.
Base militar. …BASE MILITAR!?
A conversa deu um salto grande demais, e minha cabeça não conseguia acompanhar. Até onde eu não sabia, quanto plano o Duke já estava avançando, afinal?
Enquanto todos mostravam uma expressão de choque, o vovô, como sempre, não se abalou nem um pouco. Nunca vi ele apressado ou em pânico.
Faz sentido, sendo parente de sangue do Duke. O vovô parecia já entender, até certo ponto, o que o Duke estava pensando.
— Isso significa que não vai sobrar nada do jeito que é hoje?
— Isso mesmo. A fraqueza militar deste reino fica clara quando olhamos pro cenário mundial. Sem instalações adequadas, não dá pra fortalecer os soldados também.
Que tipo de reino, afinal, esse príncipe quer construir do Reino de Dulkis? Achava que já entendia mais ou menos como o Duke pensava, mas talvez fosse só um mal-entendido meu.
Ele enxerga vários passos à frente de mim.
Dizem que quem está um passo à frente é chamado de aluno exemplar, e quem está dois passos à frente é chamado de gênio. …Quem está vários passos à frente é considerado um excêntrico. É assim que o mundo funciona.
— O que exatamente você quer fazer, afinal?
Rebecca pisou com força no pé do Nate. Ele, fazendo uma careta, refez a pergunta.
— O que exatamente Vossa Alteza quer fazer, afinal?
— Eu quero manter a Alicia sob o meu próprio controle.
…Hã?
Se ele quer mantê-la sob controle, existe uma contradição aí. Um exílio é justamente um lugar fora do alcance do Duke.
— Só eu que não estou entendendo nada disso?
Nate olhou pra Rebecca. Ela também inclinou a cabeça, confusa. Parece que ninguém ali estava conseguindo entender as palavras dele.
Duke continuou falando.
— Pra deixar a Alicia livre, basta eu expandir minha própria jurisdição. Embora ela provavelmente não queira isso.
Diante daquelas palavras, todos entenderam. O motivo pelo qual esse príncipe continua sendo príncipe é por causa da Alicia.
Todo o objetivo do Duke é a Alicia. O poder mágico avassalador, a capacidade de discernimento fora do comum, a inteligência brilhante — tudo isso existe pra proteger a Alicia. Mas ele nunca deixa que ela perceba isso.
Alicia, você é amada, de forma absurda, por um príncipe e tanto, hein.