Capítulo 289
Enrolei rapidamente o pano nos olhos e ajeitei a roupa. Sem nenhum objetivo específico, andei ao lado dele pelo castelo.
Na minha previsão, sinto que ele vai me levar direto pro próprio quarto e discursar apaixonadamente sobre como as instalações de lá são maravilhosas.
Afinal, o Victor é bem do tipo "arrogante e autocentrado". Se gabar deve ser uma especialidade dele.
…Preciso agir antes que isso aconteça.
— Será que eu poderia ter um dia de folga?
— Que atrevimento, vindo de uma pirralha.
Victor respondeu de imediato.
Graças a quem ele acha que conseguiu a fada, afinal? Bom, não foi pra pedir nada em troca que eu ajudei…
Não, eu sou uma mulher má. Talvez eu consiga usar isso como argumento de negociação.
— Só eu consigo entender as palavras da fada, não é mesmo? Um pouco de consideração ao meu pedido não faria mal…
— Você esqueceu que aqueles velhos também estão por perto?
O Victor disse isso, cobrindo minha fala.
Argh. Diante disso, não tenho nada a rebater. E, além disso, chamar meus avôs de "velhos" desse jeito, que falta de medo dele.
Pensando bem, a Kii foi vencida pelo meu poder mágico… na verdade, será que conseguir a mim mesma não seria mais garantido pro trono do que a própria fada?
— A Kii é guardada com cuidado num quarto lindo, olhada com todo o carinho, e por que eu sou tratada de forma tão descuidada?
— Fada é algo delicado. Não dá pra tratar assim de qualquer jeito. Ela pode desaparecer, sabia?
— Eu também posso desaparecer, sabia.
Falei isso calmamente, olhando pra ele de canto de olho.
Não é como se eu fosse ficar pra sempre neste reino de Lavarre. Existe uma boa chance de que, um dia, eu desapareça de repente da frente dele.
— Conseguir a fada é a condição pra virar rei, mas eu… perder você seria mais…
— Mais o quê?
Talvez ele tenha murmurado isso baixinho, achando que eu não escutaria, mas, felizmente, minha audição é bem boa.
O Victor não disse mais nada.
Perder a mim seria pior, mais prejudicial, do que perder a fada. Eu mesma sei mais ou menos qual é o meu próprio valor.
— O príncipe é bem carente, hein.
Falei isso com uma voz mais animada do que o normal.
Vou seguir com o estilo provocador aqui.
— É, talvez seja isso mesmo. Se você desaparecer, esse castelo deve ficar bem silencioso.
…Isso foi um elogio? Não, foi um deboche?
Difícil de entender. E, além disso, que expressão tão pesada é essa dele? Não combina nem um pouco com o Victor.
Eu só queria negociar um dia de folga, e não sei por que a conversa virou uma discussão acalorada — na verdade, virou um clima tão pesado assim.
— Mas logo você vai se acostumar. No começo, só vai sentir um pouco de estranhamento, e, sem perceber, um mundo sem mim vai virar o normal.
— Mesmo que seja assim, você vai deixar uma marca absurdamente grande, com certeza.
— Ora, que honra.
— …Você devia se esforçar um pouco mais pra manter seu sotaque. Seu jeito de falar é de nobre.
O Victor murmurou só isso e apertou o passo.
Não pode ser… Não só mulher, será que ele já descobriu que sou nobre também?
Ainda confusa, corri apressada atrás das costas dele.