Capítulo 295
Talvez incomodado com minhas palavras, o Victor deixou transparecer a irritação abertamente.
Será que, sendo príncipe de um grande reino, ele nunca aprendeu a ter paciência?
— Você entende o que está dizendo?
— Claro que sim.
Desde que me tornei Alicia Williams, sou eu quem melhor entende minha própria posição e o que devo fazer.
— Antes de mais nada, o príncipe nem tem o direito de recusar desde o início. Afinal, a vida do povo está em jogo.
— Você está me ameaçando?
— Sim.
Respondi isso com um sorriso.
Queria que alguém filmasse esse momento com uma câmera de vídeo bem moderna. "Mulher ameaça o segundo príncipe do reino de Lavarre!" — seria ótimo virar manchete de jornal com esse título…
— Como você vai curar todo mundo?
Victor perguntou isso com um tom um pouco mais calmo.
— Ora, você vai me ouvir mesmo?
— Por enquanto, só vou ouvir o que você tem a dizer.
Com uma expressão de insatisfação, o Victor me encarava.
— É simples. Basta conseguir uma flor Madi, e usar magia de duplicação pra reproduzi-la.
— …Usar magia de duplicação já não é nada simples, sabia.
— Eu consigo fazer isso.
Diante do sorriso amargo do Victor, respondi com toda confiança.
É uma magia exclusiva das trevas, então até meu avô consegue fazer isso…
— Parece que você ainda não entendeu, mas a própria Madi não é algo fácil de conseguir. Dizem que floresce no topo de penhascos altos, mas você não faz ideia do quão perigoso é esse penhasco.
— Quão perigoso?
— E se eu dissesse que é mais perigoso que a Floresta que Leva à Morte?
Victor me olhou com um olhar de teste.
Claro que isso me deixa empolgada! Uma vilã precisa estar sempre lado a lado com o perigo!
— ………..Por que seus olhos brilham assim justamente nessa hora?
Ele recuou um pouco, olhando pra minha reação.
Que falta de educação. Eu queria que elogiassem meu espírito de superação.
— Parece que você está com algum mal-entendido, mas a Madi tem um valor absurdamente alto até entre os nobres. Floresce só algumas vezes por ano, mas é melhor considerar que menos de uma consegue ser colhida.
— Ou seja, só se consegue uma a cada vários anos?
— Isso mesmo. Até muitos nobres já perderam a vida tentando.
Ele disse isso com uma expressão de quem mordia algo amargo.
— Ainda não colheram nenhuma este ano?
— Não. Mas não pense que, só porque você é diferente dos outros, está imune. Mesmo você, se for até esse penhasco pra buscar a Madi, pode perder a vida. Não faz sentido nenhum morrer tentando salvar alguém.
— …Está preocupado comigo?
— Claro que não! Por que eu me preocuparia com você?
Victor levantou a voz de repente.
Bom, afinal, não somos companheiros que fomos juntos até a Floresta que Leva à Morte? Um pouco de preocupação não faria mal.
…Provavelmente, sendo do jeito que o Victor é, ele está mesmo preocupado no fundo, mas fica com vergonha de deixar isso transparecer pra mim.
Mesmo conhecendo o Victor há pouco tempo, já dá pra perceber isso.
— Muito obrigada.
Fiz uma reverência educada e tentei sair do local.
Já está na hora de eu escapar desse quarto!