Capítulo 296
— Espera, aonde você vai?
— Aonde eu vou… bem, já que recebi a folga, achei que ia aproveitar de forma proveitosa.
Me virei em direção ao Victor, que tentava me segurar.
Será que a negociação não deu certo, no fim? Achei que já tinha sido concluída, sem eu perceber.
— Vou aceitar essa sua condição. Mas, em troca, deixa a colheita da Madi pra outras pessoas.
Victor me olhava com olhos sérios.
Por que ele não quer, tanto assim, que eu vá até aquele penhasco onde a Madi floresce?
— Ahn, mas eu tenho confiança na minha própria capacidade.
— Hã?
Por que ele ficou de mau humor de repente com isso? O Victor é realmente instável de temperamento.
— Não é vaidade da minha parte, só por conseguir usar um pouco de magia. Treinei o suficiente pra ter essa confiança.
— …Isso eu já entendo bem, só de te observar. Eu só… de qualquer forma, aquele lugar é perigoso. Muitas vidas são trocadas por uma única Madi. As pessoas morrem tentando conseguir a Madi tão facilmente quanto morreriam pela própria doença das manchas.
— O que exatamente tem naquele penhasco?
— Feras enormes, flores e insetos com veneno mortal, terreno instável. Um único momento de descuido já é o suficiente pra morrer.
Ele disse isso com uma voz baixa.
Isso faz até o nome "Floresta que Leva à Morte" parecer fraco em comparação. Ou seja, aquela floresta é, na verdade, muito mais segura pra sobreviver?
— Comigo vai dar tudo certo. Já estou preparada mentalmente.
— …Diante de um olhar tão determinado e inabalável assim, não tenho como retrucar nada.
Ele murmurou isso como quem desistia.
Consegui! Agora vou conseguir evitar essa epidemia tão problemática!
Bom, ainda não consegui a Madi de verdade, então é cedo pra comemorar. Mas vou conseguí-la com certeza, viva.
— Quando você for buscar a Madi, eu vou também.
………..Espera. O que ele acabou de dizer?
Foi mesmo o Victor quem disse isso agora? Não foi algum soldado com voz parecida com a dele, foi?
— Será que foi imaginação minha?
Bati de leve no ouvido.
Achei que tinha uma boa audição, mas será que finalmente comecei a ter alucinações auditivas?
— Eu vou com você.
Victor disse isso apontando pra mim, com toda certeza.
— O QUÊ!?
— Que reação é essa? Devia estar mais feliz. Eu mesmo vou junto com você.
Será que esse príncipe entende bem o significado do que está dizendo? Eu preferia que ele não falasse comigo como se fosse um responsável levando uma criança pro jardim de infância.
— Ahn, é um lugar perigoso, não é mesmo?
— Sim. Extremamente.
— O senhor é mesmo o segundo príncipe do reino de Lavarre, não é?
— Sim. …O que você quer dizer com isso?
Ele franziu o rosto diante da minha pergunta.
Quem devia franzir o rosto sou eu. Por que um príncipe de um reino inteiro iria acompanhar uma viagem arriscando a própria vida pra colher a Madi!?
— Isso não traz nenhum benefício pro senhor, sabia?
O Victor deveria só agir em coisas que trazem vantagem pra si mesmo.
— Não seria mais eficiente aproveitar a minha presença de outra forma?
O que estou dizendo faz sentido, não é? Não estou dizendo nada errado.
Mesmo assim… por que ele está me encarando com um olhar tão furioso!?