Capítulo 320
— Você queria salvar o mundo? Ou queria que o Duke se virasse pra você?
Diante da minha pergunta, a Kate Liz ficou paralisada.
O Henry e o Duke também ficaram calados, esperando a resposta dela. Eu queria ouvir a verdade dela, sem filtro.
Estar apaixonada e só querer que o Duke gostasse dela, e ao mesmo tempo querer usar sua capacidade rara pra trazer paz ao mundo — as duas coisas provavelmente eram verdade ao mesmo tempo.
Mas a gente não é telepata. Não dá pra saber o peso que uma pessoa carrega no fundo do coração.
— …Eu sou gananciosa, então eu queria me tornar a esposa do Duke e, ao mesmo tempo, trazer paz ao mundo. Mas, sabe…
Ela fez uma pausa ali, respirando fundo.
— O Duke era indispensável. Mesmo que ele não fosse o príncipe, eu já estava apaixonada por ele. Não é bonito de dizer, mas eu nunca passei por um sofrimento de doer até a morte. Nasci plebeia, e teria sido tudo bem também se eu passasse a vida inteira administrando uma padaria. Teria sido tudo bem também se eu não tivesse essa habilidade especial. Como o mundo em que eu vivia sempre foi feliz, eu nunca tinha sentido, de verdade, que este mundo era injusto.
— Então por que você quis trazer paz ao mundo?
— Porque achei que era o meu papel. Achei que era a missão imposta a mim, como Santa. Por isso, defendi a igualdade e achei que a melhor coisa seria acabar com o vilarejo da pobreza. Mas, na prática, nunca coloquei isso em ação de verdade. Talvez, no fundo, eu nunca tenha querido mudar este mundo com tanta dedicação assim.
Vendo a Kate Liz falando com esse tom calmo e monótono, senti, pela primeira vez, uma humanidade genuína nela.
Até agora eu sempre achava ela meio incômoda de encarar, mas senti que consegui, um pouquinho, me aproximar dela.
— Mas, pensando bem com calma, talvez tudo que eu tenha me esforçado até agora também tivesse o Duke como centro. Porque eu queria que ele olhasse pra mim. Porque eu queria que ele achasse que eu era diferente das outras… Como a Alicia-chan sempre disse, eu me beneficiei o tempo todo do fato de que este mundo não é construído de forma igualitária pra todos.
— Não tem problema nenhum se o motivo do esforço de alguém for impuro. Eu também só me esforço por causa da Alicia.
Consolei a Kate Liz, um pouco.
Não é que ela estivesse me enfeitiçando com a magia da sedução dela. Foi algo que pensei de verdade, do fundo do coração. Uma pequena felicidade sentida por uma Santa que, no fim, não era feita só de pureza imaculada.
— Eu estava sempre no limite comigo mesma. Sempre tive inveja da Alicia-chan, que sempre tinha folga, tinha iniciativa, e, o pior de tudo, era amada pelo Duke. Por isso, achei que devia ser o oposto completo dela. A Alicia-chan sempre foi só um obstáculo pra mim. Eu nunca, nem uma vez, pensei em querer ser amiga dela.
A Liz, já num estado meio resignado, despejava toda a verdade sem filtro. Nós ficamos ali, em silêncio, observando ela ir ficando cada vez mais desesperada.
Deve ter sido sufocante carregar tantos sentimentos guardados por tanto tempo. Uma Santa não pode demonstrar ódio abertamente. Só resta trancar os sentimentos ruins dentro do próprio coração.
— Mesmo sendo amada por tanta gente, o único homem que realmente importava nunca olhava pra mim, e ainda diziam que a Alicia-chan estava morta! Eu sou só filha de uma padaria comum! Eu não sabia absolutamente nada sobre o mundo dos nobres! Ninguém nunca me ensinou as regras!
— Liz, me desculpa.
Diante da voz calma do Duke, os olhos da Kate Liz voltaram a se encher de lágrimas.
— Você é justamente a última pessoa de quem eu queria ouvir um pedido de desculpas.
A voz trêmula dela ecoou baixinho pelo quarto.