Capítulo 332
— …O quê!?
Sem querer, fiquei encantada olhando pro vovô, mas parece que acabei de ouvir alguma coisa meio inacreditável…
Como o vovô sabia sobre mim?
Não, esquece isso agora, será que o vovô é nível 100!?
O Albie olhava pra mim, achando graça de me ver paralisada. Tentei, com todas as forças, entender a situação. Agora, isso é muito mais importante do que a história da família real de Lavarre.
— Espera, o vovô já sabia sobre mim? …Como? Desde quando!?
— Não tinha certeza, mas você recebeu meu poder mágico com uma sensação bem agradável, então…
Poder mágico? Não tenho lembrança nenhuma de ter recebido nada assim… …Espera, será que foi naquela Floresta que Leva à Morte!?
Por isso, naquela manhã, meu corpo estava tão leve. Afinal, enquanto todo mundo ia a cavalo, eu corria desesperadamente a pé.
Pensando bem, na noite anterior eu tinha quase morrido, não tinha nem como me mexer daquele jeito depois.
— A função do Albie é avaliar quem vem exilado. Afinal, eu tenho curiosidade de saber que tipo de gente vem do reino de Dulkis. Nunca imaginei que fosse justamente minha neta.
O vovô disse isso e sorriu com gentileza.
Nunca tinha visto essa expressão nele antes… Será que netos são mesmo especiais assim?
— Pode tirar esse pano dos seus olhos?
Segui a instrução do vovô e tirei o pano que estava enrolado nos meus olhos. A luz entrou de repente, ofuscando um pouco.
— Esse olho, você herdou da sua mãe. Ela era muito bonita, e você se parece muito com ela.
Será que todo avô do mundo fala esse tipo de coisa pro próprio neto? Se algum entusiasta de "avôs" ouvisse isso, sangraria pelo nariz.
— Você deu um dos seus olhos pra alguém?
— Pra alguém que o vovô conhece bem.
Diante das minhas palavras, o vovô pensou por um instante e arregalou os olhos, surpreso.
— Will?
— Sim.
Respondi com um sorriso enorme no rosto.
— Entendo. Então ele ainda estava vivo naquele vilarejo. Will sempre gostou de pregar peças; eu, a Kate e o Mark o tratávamos como um irmão mais novo querido.
O vovô fez uma expressão nostálgica.
Eu adoraria ver, mesmo que fosse só uma vez, como todos vocês eram jovens. Nem consigo imaginar o vovô Will pregando peças em alguém.
— Foi justamente por causa desse excesso de confiança que ele acabou perdendo o próprio poder mágico.
Vovô, que comentário mais afiado.
— …Espera, quer dizer que você foi até o vilarejo da pobreza!?
O vovô de repente levantou a voz. O vilarejo da pobreza é um lugar com que uma senhorita de grande família nobre quase nunca teria contato.
De fato, é difícil imaginar alguém indo até um lugar desses de propósito. Ainda mais sozinha.
— Como afinal o Arnold te criou? Deixando de lado habilidade de espada e capacidade intelectual, essa sua iniciativa e coragem não são coisas que se ensinam. …Acabei tendo uma neta absurda.
— Uma neta fofa, não é?
— Sim, uma neta extremamente fofa. …Justamente por isso, preciso criá-la com todo cuidado. Qual é o seu nível de magia atual?
— Nível 92.
Desde que cheguei ao reino de Lavarre, não cresci nem um pouco. Não dá pra praticar magia, e, antes de mais nada, não tenho livros.
— Sua idade?
— …Dezesseis anos. Williams Alicia. Aprendi a usar magia aos dez anos, entrei por exceção na academia de magia aos treze. Dois anos depois, fui exilada pra conhecer o reino de Lavarre.
Disse tudo de uma vez, respondendo o que imaginei que ele queria saber.