Capítulo 335
Acordei com a luz forte do sol batendo nos olhos. Me troquei como de costume e enrolei o pano nos olhos.
Assim que abri a porta do casebre, correndo pra ir logo até o Vian, o Capitão Marius estava parado ali, com uma expressão absolutamente aterrorizante.
…Ah, não, que ruim. Tinha esquecido completamente.
Entendi tudo só pela expressão dele. Aliás, seria bem melhor se ele tivesse simplesmente aberto a porta e entrado… será que ele achou que eu estava trocando de roupa e teve o cuidado de esperar do lado de fora?
Mas eu vivo aqui como homem, então…
— Você, ontem, não me trouxe os documentos.
Um clima nada bom emanava dele. Se aproximava devagar, como um zumbi.
O Capitão Marius nunca tinha sido do tipo que faz tanto drama por causa de documentos. Tentei lembrar o conteúdo dos papéis de ontem. Era sobre as despesas do batalhão.
— D-desculpe muito, senhor.
— Não pense que um pedido de desculpas resolve isso.
Atrás dele, o Vice-capitão Neel dava um sorriso amarelo.
— Parece que ontem ele tinha um encontro com uma garota que conheceu na cidade. Mas, como os documentos não chegaram, ele não conseguiu sair a tempo.
Não acredito. Então existe uma garota que se apaixonou pelo Capitão Marius.
— Você está pensando alguma coisa desrespeitosa agora, não está?
— Não, de jeito nenhum.
Respondi na hora, diante das palavras do Capitão Marius.
— O que você vai fazer pra consertar isso!?
A raiva de antes parecia ter sumido — agora, o Capitão Marius me olhava quase com os olhos marejados.
— Que tal chamá-la pra sair de novo?
— Se fosse fácil assim, eu não estaria sofrendo desse jeito. Ela deve estar furiosa comigo.
— Que tal presentear ela com um buquê de flores?
— Buquê?
— Sim. Não existe garota que fica chateada ao ganhar flores. Se ela realmente gosta do senhor, com certeza vai funcionar.
Sorri, animada. Diante das minhas palavras, o Capitão Marius pareceu se recuperar num instante — disse "é isso mesmo!" e saiu correndo pra algum lugar.
Deve ter ido comprar flores. Ele é do tipo que age primeiro e pensa depois.
Cruzei o olhar com o Vice-capitão Neel.
— Parece que você anda ocupado desde que foi designado pro primeiro príncipe.
— Estou ocupado, mas também estou me divertindo.
— …Que bom, então. Aqui, todo mundo andou sentindo sua falta desde que você saiu.
— Sério?
— Você tinha falado antes que ia criar um batalhão próprio. Como está isso?
Diante daquela pergunta repentina, fiquei paralisada.
Ah, é verdade, eu tinha dito isso na frente do Victor. Lembrei do momento logo depois que a expedição terminou.
— Ainda não encontrei gente boa o bastante.
— A gente recebeu dois sujeitos meio complicados aqui, e nós não estamos conseguindo lidar direito com eles. Que tal você cuidar deles?
— Eu?
— Isso mesmo. Você ainda é novo no batalhão, mas tem talento de verdade.
Fiquei genuinamente feliz por ser elogiada assim. Não é todo dia que se recebe um elogio do vice-capitão do batalhão de elite comandado diretamente por Victor.
— Me apresente esses dois, por favor.
Falei isso com firmeza, olhando direto nos olhos do Vice-capitão Neel.