Capítulo 336
O Vice-capitão Neel me levou até uma masmorra subterrânea de dar arrepios.
Por algum motivo, o chão estava um pouco úmido, com poças de água aqui e ali. Vi um rato passar correndo por ali.
…Será que estão tentando me empurrar prisioneiros pra eu cuidar?
Ontem eu estava curtindo o quarto lindo do vovô, e hoje estou numa masmorra fedorenta e imunda.
— Se, por acaso, eu não conseguir lidar com eles, o que acontece?
— Só resta matar, imagino.
O Vice-capitão Neel murmurou isso com voz grave. O valor da vida de uma pessoa deveria ser igual pra todo mundo, mas, dependendo da posição social, esse peso muda.
— Chegamos.
Com a voz dele, parei ali mesmo. Ouvi um "splash" debaixo do pé. Meu pé tinha caído bem numa poça.
Mas não era hora de me preocupar com isso. Fixei o olhar nos dois presos atrás das grades de ferro grossas.
…Que olhar afiado. Só tem hostilidade e ódio ali. Especialmente a sede de sangue que vinha de um dos dois — chocante.
Não estavam nem um pouco tentando se adaptar a este lugar.
Devem ter mais ou menos a minha idade, ou talvez um pouco menos. Talvez a idade do Jill… …Ah, é verdade, ele também me olhava assim no começo. Que saudade disso.
O que parecia ser o irmão mais velho abraçava o irmão mais novo, um pouco assustado, e encarava a gente com raiva.
Cabelo preto levemente ondulado, olhos vermelhos-carmim. Pela diferença de idade, não parecem gêmeos, mas os rostos são bem parecidos.
Só que a personalidade transparece tanto nas expressões deles que, no fim, não parecem tão semelhantes assim… E, além disso, os dois têm pele bronzeada. Bem mais escura que a do Duke-sama, aliás.
— Onde vocês os encontraram?
Diante das minhas palavras, o Neel deu um sorriso amarelo. O olhar dele parecia dizer "você é quem sabe melhor disso".
— Foi… no coliseu, por acaso?
— Isso. Pra ser mais exato, capturamos quem tinha fugido do coliseu.
— Já que têm pele bronzeada, isso quer dizer que…
— Por que você está tão surpreso? Prisioneiros vêm do reino de Melvin também, é claro.
O Vice-capitão Neel disse isso como se fosse óbvio.
…De fato, faz sentido. Não teria como o reino só receber prisioneiros vindos do reino de Dulkis.
Reino de Melvin… Provavelmente é o país de origem da mãe do Duke-sama. Nunca prestei atenção nenhuma no reino natal da rainha. Tinha coisa demais pra me preocupar além disso.
Mas, agora, vendo esses dois vindos do reino de Melvin bem na minha frente, senti curiosidade despertar.
— Vocês vão me confiar eles?
— Sim. Mas eles são bem complicados, viu. Não só o irmão mais velho, o mais novo também.
Ouvindo as palavras do Vice-capitão Neel, voltei o olhar pros dois garotos dentro da cela.
Piedade não é uma palavra que combina comigo. Por isso, se não forem fortes, não servem. Meu batalhão não é um lugar que qualquer um pode entrar.
— Seus nomes?
Mesmo eu falando com um certo peso na voz, nenhum dos dois se abalou nem um pouco. O irmão mais velho não desviava o olhar de mim nem por um segundo, me encarando com uma expressão furiosa.
Já fui encarada tantas vezes assim na academia de magia que, no fim, esse tipo de olhar virou rotina — não sinto mais nada em relação a isso.
— Meu nome é Ria. Dezesseis anos. E a idade de vocês?
— Por que estamos presos aqui?
— Estão com fome?
Parece que qualquer coisa que eu diga é inútil. Estão claramente me ignorando de propósito. …O que será que eles mais desejam, no fundo?
— Querem ser libertados?
Diante dessa pergunta, percebi a sobrancelha do irmão mais velho tremer levemente.