Capítulo 338
Depois disso, tentei negociar por um tempo, mas o garoto não abriu a boca nem uma vez.
Sem conseguir amolecê-los nem um pouco, saí da masmorra subterrânea. …Já está na hora de ir até o Vian. Já estou atrasada, aliás.
Enquanto caminhava um pouco apressada pelo palácio, o Victor apareceu vindo na minha direção, com uma expressão absolutamente furiosa.
…Espera, o quê!? Por que ele está tão bravo assim?
Por reflexo, virei nos calcanhares e voltei pelo caminho de onde tinha vindo.
— Ei, espera!
A voz do Victor ecoou pelo corredor, e dava pra sentir o som dos passos dele se aproximando cada vez mais rápido.
— Por que o senhor está me perseguindo!?
— Por que você está fugindo?
— Porque sua cara está apavorante!
Gritei isso enquanto olhava pra trás. E, num piscar de olhos, ele me alcançou. Segurou meu braço com toda força. Olhei feio pro Victor e falei.
— O que foi?
— Você já esqueceu nossa promessa?
Não tenho nenhuma lembrança de ter feito promessa nenhuma com o Victor. Sem perceber, inclinei a cabeça, confusa. Ele soltou um suspiro enorme.
— Você tem dormido no casebre esses dias.
— Sim.
— "Sim" nada. Já esqueceu que a gente combinou que você ia dormir no meu quarto?
— Ah!
Ah, é verdade, tínhamos combinado isso. Com todo o trabalho pro Vian, isso tinha saído completamente da minha cabeça.
Afinal, estou dando conta daquela quantidade absurda de serviço. Não tem como eu lembrar de ir dormir no quarto do Victor.
— Estou ocupada. E, além disso, é impossível enquanto estiver designada pro Príncipe Vian.
— …Descobriu alguma coisa sobre ele?
De repente, o Victor perguntou isso com um rosto sério. Pensei um pouco antes de responder.
— Ele é… um tipo meio assustador de…
— Meio assustador de quê?
— Volume de trabalho.
Diante das minhas palavras, ele ficou paralisado por um instante. Continuei falando.
— Fazer sozinho aquela quantidade toda, é uma pessoa realmente competente.
Antes mesmo de eu terminar de falar, os olhos dele mudaram de cor e ele apertou meu braço com uma força absurda. Sem dúvida, ia deixar marca.
— Da próxima vez que você elogiar ele, eu quebro esse seu braço.
…Por que ele fica tão explosivo assim quando o assunto é o Vian?
E, além disso, não vou perder pra ele numa hora dessas. Pisei com toda força na ponta do pé dele. No instante em que ele se encolheu de dor, dei um salto e apliquei um chute de calcanhar com tudo.
Ele caiu no chão. Me agachei ali mesmo e espiei o rosto dele.
É isso que acontece quando não se trata uma dama com respeito. Bem feito. …Bom, imagino que aplicar um chute de calcanhar num príncipe deva ser bem mais grave do que pena de morte.
— Mandar alguém pra trabalhar com o Vian por conta própria, e depois se enfurecer quando essa pessoa faz uma avaliação justa dele, isso sim que é ser criança de verdade.
Falei só isso e, ignorando o Victor caído no chão, segui em direção ao quarto do Vian.
Talvez me espere um castigo e tanto depois, mas, como o Vian gosta de mim, acho que vou escapar da pena de morte.
Bati na porta do Vian, toc-toc.
— Quem é?
— Sou eu.
Nenhuma resposta veio. Assim que pensei isso, a porta se abriu com força. Desviei de leve pra não ser atingida por ela.
— Você está atrasada!
Dizendo isso, o Vian saiu do quarto com uma cara levemente contrariada.