Capítulo 356
Chegamos ao destino, e a carruagem parou devagar.
Desci primeiro, confirmei que estava tudo seguro, e só depois a Vivian desceu da carruagem.
Por mais que esteja disfarçada de mulher e usando um manto, a Vivian continua sendo o primeiro príncipe do reino de Lavarre. Preciso protegê-la o tempo todo. Vou garantir a segurança dela sozinha.
Bom, acho que hoje é uma saída relativamente segura, mas mesmo assim…
Assim que desceu da carruagem, a Vivian ficou paralisada, olhando fixamente pra frente da loja.
Um prédio de cor creme claro, com uma placa rosa escrita em letras finas: "Rilton". Uma loja com bom gosto, elegante.
Assim que me aproximei da loja e fui abrir a porta, a Vivian me chamou baixinho, "Alicia".
— Eu vou abrir.
Vi claramente, no rosto dela, uma expressão cheia de determinação. Cedi o caminho pra ela.
Ela puxou a porta com força. Um sino tocou, "blim-blim". Um perfume floral suave pairava no ar. O interior da loja era fofo e, ao mesmo tempo, extremamente luxuoso.
Parece o tipo de lugar frequentado por senhoras elegantes.
— Sejam bem-vindos~
Do fundo da loja, veio caminhando uma mulher alta, muito bem arrumada, com os saltos batendo "toc-toc" no chão.
Postura impecável, andar refinado — dava pra sentir que era realmente uma loja de primeira linha.
— Estão procurando alguma coisa?
A mulher nos ofereceu um sorriso profissional, de vendedora.
— Vim ver o Bill.
Diante das palavras da Vivian, a vendedora ficou paralisada por um instante, mas logo abriu a boca.
— Sinto muito. Encontrar-se com o dono da loja não é…
Interrompendo as palavras da vendedora, a Vivian estendeu na frente do rosto dela um cartão que carregava.
Preso entre o dedo indicador e o médio, havia um cartão completamente preto, com letras vermelhas escritas: "Rilton".
— P-peço desculpas! Vou levá-los imediatamente até a sala do senhor Bill!
…Um cartão preto deve ser algo tipo membro VIP? Cliente frequente, talvez?
Bom, considerando a posição da Vivian, faz sentido ser tratada como uma cliente de peso. Afinal, ela é um príncipe.
Seguimos a vendedora escada acima, uma escada vermelho intenso forrada de veludo.
Fazia tempo que eu não usava salto, então tinha medo de tropeçar.
A vendedora parou em frente a uma porta branca e bateu de leve, toc-toc.
— Senhor Bill, tem visita.
— …Visita? Deixa entrar.
A pessoa dentro da porta respondeu com um tom rude.
A vendedora abriu a porta devagar e fez uma reverência educada, dizendo "por favor".
Segui a Vivian e entrei no quarto.
— Quem é?
Um homem sentado num sofá grande voltou o olhar na nossa direção. Na sua frente, uma mesinha baixa estava coberta de papéis espalhados, quase transbordando.
…Uma quantidade enorme de esboços de design.
Era difícil acreditar que fosse o homem à minha frente quem desenhava aquilo tudo.
Devia ter uns setenta anos. Cabelo branco preso num rabo, rosto marcado e severo, o típico avozinho de traços duros. Alto, com um porte físico robusto.
Combinava muito mais com a imagem de um ferreiro do que com a de um estilista.
Tirei o manto e fiz uma reverência.
— Meu nome é…
Ah, eu nunca decidi um nome pra usar quando estou como mulher… Qual é o meu nome!?
De repente, ouvi o som de um manto caindo no chão, "plaf".
Olhei pro lado e vi a Vivian, vestida no vestido vermelho intenso. O perfil dela estava um pouco tenso, mas absolutamente lindo.
A pele branca combinava perfeitamente com o vermelho do vestido. Pra esconder a largura dos ombros, ela usava um xale de pele branca em volta, mas, como a estrutura óssea dela nunca foi robusta demais, parecia mesmo uma mulher de verdade.
O dono da loja ficou em silêncio, olhando fixamente pra Vivian, e devagar colocou sobre a mesa o papel que segurava na mão.