Capítulo 361
O garoto franziu as sobrancelhas. Continuei falando, encarando os olhos dele diretamente.
— Eu quero que você confie em mim sem nenhuma dúvida. E que se apoie em mim.
— …Como? Não vou seguir alguém que nem enxerga.
— Do jeito que as coisas estão, seu irmão vai morrer.
Talvez irritado com minhas palavras, ele estendeu a mão pela grade com uma expressão furiosa e agarrou minha roupa pelo colarinho.
Tinha mais força do que eu imaginava. Consegui manter a postura sem me desequilibrar, sem mudar a expressão. A sede de sangue que ele emanava era intensa de verdade.
— Se você encostar um dedo no meu irmão, eu te mato.
— Ele não vai morrer pelas minhas mãos. Vai morrer de doença.
— Do que você está falando?
— Já que é famosa, imagino que você já saiba: seu irmão está com a doença das manchas.
Diante da minha reação calma, ele fez uma pequena pausa. A força com que segurava minha roupa foi diminuindo.
…Ele não ficou tão surpreso assim. Será que ele já sabia?
Talvez seja por isso que ele estivesse tão desesperado pra sair logo daqui.
— …Como você sabe disso?
— Só sei, digamos assim — respondi, fingindo desconhecimento, disfarçando. E acrescentei:
— O que importa agora não é isso, e sim salvar seu irmão. Eu consigo salvá-lo.
Diante do meu tom firme, ele ficou calado. Dava pra sentir desconfiança nos olhos dele.
Será que ele ainda não confia totalmente em mim? Bom, faz sentido. Não existe história boa demais assim, sem pegadinha.
— Se eu conseguir salvar seu irmão, você vai confiar em mim?
O garoto olhou de relance pro irmão.
Será que é o único parente que ele tem? Se for isso, faz sentido essa preocupação toda…
— Está bem. Se você salvar meu irmão, eu confio em você.
Ele se virou pra mim com uma expressão de quem tomou uma decisão.
— Mas…
— Mas?
— Você luta comigo uma vez. Se você ganhar, te dou a chance de salvar meu irmão. Mas, se eu ganhar, vocês nos soltam daqui.
Por que ele está falando de cima pra baixo desse jeito… Bom, imagino que, numa negociação, é importante não deixar o outro lado dominar totalmente.
Ele realmente sabe negociar de um jeito que favorece ele mesmo.
— Está bem. Se você me vencer, eu liberto vocês. E, além disso, você pode escolher a arma da luta.
Não sinto nem um pingo de dúvida de que vou vencer.
O garoto pensou um pouco e respondeu, "mãos vazias".
De fato, talvez luta corpo a corpo combine mais com ele do que espada. É pequeno, parece rápido e ágil.
— Tudo bem.
Peguei a chave pendurada na parede e a encaixei na fechadura resistente da cela.
Não tinha nenhuma preocupação de que ele fosse fugir assim que saísse da cela.
Afinal, o irmão que ele tanto ama ainda estava preso ali dentro. Não tinha como ele fugir e deixá-lo pra trás. E, além disso, ele com certeza entendia que, se quebrasse a promessa, o próprio irmão poderia ser morto.
Abri a porta da cela com um "pode vir" e um sorriso, liberando o garoto. Ele saiu com cautela, dando um passo pra fora da cela.
— Ah, é verdade, qual é o seu nome?
— Leon, quatorze anos.
Ele respondeu sem rodeios.
Menor do que eu esperava pra quatorze anos. Deve ter, mais ou menos, a mesma altura que eu. Ele está numa fase de crescimento, precisa se alimentar direito.
Se eu vencer, preciso fazer ele comer bastante comida boa!
— Leon, hein. Bom nome. O meu nome é…
— Ria, dezesseis anos. Já me falou antes.
— Foi? Bom, tudo bem. Muito prazer, Leon.
— "Muito prazer", né. A luta ainda nem começou.
Leon fez uma cara de desagrado.
Será que já entrou na adolescência? Eu queria que ele fosse um pouquinho mais simpático… …Espera, isso não é a cara do Jill quando o conheci?
— Aquele ali é o Rio. Oito anos.
Leon disse isso apontando pro garotinho pequeno que dormia dentro da cela.
Ele até me apresentou o irmão. Será que isso significa que ele abriu um pouco o coração?
— Você se importa muito com seu irmão, hein.
— Sim. Eu faço qualquer coisa pra proteger meu irmão.
— Então precisamos lutar o quanto antes pra salvá-lo.
— Por que você já fala como se fosse ganho de antemão que você vai vencer?
Diante do meu jeito, Leon parecia insatisfeito. "Porque eu vou ganhar mesmo", respondi, erguendo os cantos da boca.