Capítulo 366
Antes que ele pudesse retrucar, continuei falando.
— Não faz sentido nenhum uma pessoa capaz de ver as coisas de forma ampla continuar odiando o próprio irmão. Existem várias formas de governar um reino, sabe. Se realmente nenhum dos dois consegue abrir mão do trono, podem até fazer um sistema de governo compartilhado… Enfim, senhor príncipe, amadureça logo, por favor.
Até pouco antes, ele parecia prestes a explodir de raiva, mas, vendo meu tom calmo e direto, ele foi se acalmando um pouco.
Ele tem, sim, capacidade de resolver problemas de verdade, mas fica tropeçando justamente nessa questão — que desperdício. O Victor ainda pode crescer muito mais.
…Se eu falar isso em voz alta, provavelmente vou ouvir de novo "quem você pensa que é", mas paciência.
— Você está dizendo que eu deveria ser mais tolerante com ele?
— Bom, mais ou menos isso.
Respondi com um sorriso.
O Vian é do tipo que guarda os sentimentos pra si mesmo, mas o Victor é exatamente o oposto. Um ambicioso que arrasta todo mundo ao redor junto com ele.
— Mas, bom, pelo menos fico aliviado de você ter voltado pro meu lado.
— Ah, é verdade, hoje eu vou sair pra procurar a Madi.
— Hoje!? Quando você decidiu isso?
Respondi com calma "agora mesmo" ao Victor, que levantou a voz.
Preciso encontrar a Madi o quanto antes pra salvar o Rio. Decisão e ação precisam ser rápidas.
— Hoje mesmo, então… …Eu já tinha dito que ia também, não tinha?
— Você pode vir ou não vir, tanto faz pra mim.
— Sua desgraçada, você é mesmo sem graça nenhuma.
Ele me olhou de cima pra baixo, com uma leve contração no rosto.
Bajular o Victor só ia me render desprezo mesmo. Ele é exatamente o tipo que mais odeia senhoritas fingidas e melosas que ficam grudando nele.
— Está bem. Vai se preparando logo pra partida.
Ele disse isso e soltou um pequeno suspiro.
— Ah, você vai mesmo, então?
— O resto do trabalho pode esperar até eu voltar.
Consigo imaginar perfeitamente a cara de aflição do pessoal ao redor do Victor.
— Ah, e outra coisa, posso levar um garoto comigo?
— Ele serve pra alguma coisa?
Diante da expressão desconfiada do Victor, ergui os cantos da boca e respondi, "claro que sim".
— Bom, se é alguém em quem você confia, deve estar tudo bem.
Ah, que palavras adoráveis.
Ser confiada pelo próprio príncipe do reino de Lavarre… o Victor tem bom olho, viu!
— Por que você está sorrindo desse jeito? Que nojento.
…Vou retirar o que pensei antes.
— Ah, e o que a gente diz pro grupo dos vovôs?
Só o Victor mesmo pra chamar os vovôs de "aquele bando de velhos".
— Que a gente vai em mais uma expedição, não é o suficiente?
— …Eles vão ficar tristes, com certeza. Gostam muito de você. Que inveja, ter esse jeito de ser amada aonde quer que vá.
Fiquei surpresa com as palavras do Victor.
Nunca imaginei que eu fosse tão querida assim pelos vovôs… Que caminho mais feliz eu estou trilhando. Que bom que fui exilada de verdade.
— Mas "ser amada aonde quer que vá" soa exatamente como uma Santa.
Disse isso com um tom de insatisfação, e o Victor respondeu na hora: "você está longe de ser uma Santa".
— Sério mesmo!?
Diante do meu grito de alegria, o Victor ficou um pouco confuso. Ele provavelmente tinha dito aquilo com intenção de ofender.
— Isso é o maior elogio que existe!
— Que estranha… …Essa daí não é bem Santa, é mais tipo uma sábia, hein.
De tão feliz, nem escutei direito o que o Victor disse depois.
No fim das contas, estou avançando firme pelo caminho da vilã!