Capítulo 37
Por que Duke-sama estava no meu quarto? Se desse, ele era a última pessoa que eu queria que viesse…
Ele ouviu meus gemidos. De alguma forma, sinto que ele descobriu meu ponto fraco. Minha aparência agora era realmente lastimável. E pensar que eu vou virar uma vilã…
A dor de garganta não passava. Vista de fora, eu devia parecer estar tendo dificuldade de respirar, quase sem fôlego. Estava sofrendo tanto que nem conseguia mexer o corpo.
— Alicia, beba isto.
Duke-sama me estendeu um copo.
Eu não tinha nem força pra segurar um copo naquele estado. Como eu ia beber se nem conseguia me levantar?
Empurrei de leve o copo que Duke-sama me oferecia.
Desculpa, Duke-sama. Mas eu realmente estava sofrendo, queria que ele entendesse isso.
Houve um silêncio por um instante. Será que o irritei? Só se ouvia minha respiração ofegante e meus gemidos. Não fazia ideia de que cara Duke-sama estava fazendo.
Foi então que a mão de Duke-sama se apoiou no meu pescoço. Sem tempo nem pra me surpreender, o rosto de Duke-sama apareceu bem na minha frente.
Impressionante sentir aquela sedução mesmo de olhos fechados. E, além disso, o cheiro dele era ótimo.
Os lábios de Duke-sama se sobrepuseram aos meus.
…espera? Senti a água entrando na minha boca, assim mesmo. Tentei pensar em algo, mas minha cabeça não funcionava, e o choque me deixou incapaz de pensar em nada.
O que está acontecendo agora?
Engoli a água que foi despejada na minha boca. Aos poucos, fui me sentindo melhor. Minha respiração também se acalmou.
Como eu pensava, o Josiah faz efeito rápido mesmo. Sentindo na própria pele, dá pra entender bem o quão incrível é.
…vamos pensar no que acabou de acontecer.
Lábios macios se tocando… isso foi um beijo boca a boca? Isso conta como meu primeiro beijo?
…foi só um socorro médico, né. Afinal, eu estava quase morrendo. E, além disso, pensando na idade — eu tenho dez anos. E Duke-sama, quinze. Com cinco anos de diferença, Duke-sama com certeza fez isso sem pensar em nada. Foi só gentileza, querendo ajudar uma garotinha…
Alicia, pense com calma. Você odeia mulheres insensíveis a esse tipo de coisa. Eu não sou a heroína. Ninguém pensaria em socorrer boca a boca alguém que detesta. Aliás, remédio normalmente é dado por um criado, não é?
Ou seja, isso significa que Duke-sama gosta de mim? Mas não deve ser sentimento romântico.
…mesmo que não seja romântico, se ele gosta de mim, isso é grave. Afinal, Duke-sama tem o destino de se apaixonar pela heroína! Se eu atormentá-la e Duke-sama tomar meu partido, isso vira só maus-tratos contra os fracos! Vilã gosta de atormentar, mas não maltrata os fracos!
Aliás, a heroína já está na academia de magia, não é? Ele já deve ter se encontrado com ela, não é? Espera, será que ele já se apaixonou? Se fosse assim, ele não faria isso comigo, né?
Uma dúvida atrás da outra ia surgindo. Ninguém fala nada sobre a academia, então eu não sei de nada.
— Ficou mais calma?
Duke-sama murmurou isso baixinho, com uma voz gentil, e afagou minha cabeça.
Agora eu estava quase morrendo de novo, só que por outro motivo. Do jeito que estava, meu coração ia pular pra fora. Consegui, de algum jeito, manter a calma.
…minha cabeça finalmente voltou a funcionar, e lembrei de uma coisa.
Os meninos nobres, pra criar imunidade contra bactérias e venenos, tomam vírus fracos de bactérias e venenos desde pequenos, criando anticorpos. Por isso é que não pegam doença…
Ou seja, o sofrimento que passam na infância compensa um pouco mais de tranquilidade quando adultos.
Percebi, pela presença, que Duke-sama estava bem ao meu lado.
Quando será que ele vai embora… Só estou de olhos fechados, mas isso ainda conta como cara de quem está dormindo, né. Não quero muito que vejam meu rosto dormindo.
Por causa do efeito colateral do remédio, fui ficando com sono aos poucos. Assim como o efeito é rápido, o colateral também é.
Caí no sono mais uma vez, do jeito que estava.