Capítulo 38
Em um dia, a febre baixou e fiquei totalmente bem de novo.
Só quando a gente adoece é que percebe o quanto é bom ser saudável normalmente.
Sobre o… socorro médico de ontem do Duke-sama, vou evitar pensar demais nisso.
Mais do que isso, o problema é que a heroína já está na academia de magia. Era a coisa mais importante, e eu esqueci completamente. Não adianta nada me arrepender agora de ter esquecido.
Preciso pensar no presente. Como estará a situação? A heroína com certeza já deve estar se aproximando dos alvos de conquista, não é? Mas eu nunca ouvi Albert-nii-sama falar da heroína nem uma vez.
Será que ela realmente entrou na academia de magia? Uma plebeia capaz de usar todos os tipos de magia deveria virar um baita boato. Será que, de repente, ela ficou sem dinheiro e não conseguiu entrar na academia… Mas a heroína é bolsista, então isso não teria relação.
Ah, estou super curiosa pra saber como estão as coisas…
Se eu perguntasse pra Albert-nii-sama e ele me perguntasse "por que você quer saber?", ia ser complicado. Não posso simplesmente dizer, com toda honestidade, que é porque quero atormentar a heroína.
…sendo assim, só resta invadir a academia de magia! Preciso coletar informações por mim mesma. Uma vilã de verdade não pode depender dos outros. Se eu invadir, posso ver a heroína ao vivo, e, além disso, invadir já é uma coisa má em si… dois coelhos numa cajadada só.
Ah, finalmente vou conhecer a heroína. Foi um caminho longo. Meu coração está acelerado.
Corri em direção ao estábulo.
Fiquei de queixo caído.
Quanto será que gastaram pra construir essa academia de magia… Eu já conhecia a aparência dela pelo jogo, mas ver ao vivo tinha um impacto absurdo. Realmente é um lugar à altura de quem a nobreza frequenta. As janelas são de vitral — o que fazem se alguém quebrar jogando bola?
Desci do cavalo e fui em direção ao portão principal.
Será que dá pra entrar pelo portão principal? Não vou ser pega, né? Mas não quero ir escondida pelos fundos. Uma vilã precisa manter a pose! E, além disso, nunca ouvi falar que é proibida a entrada de quem não é aluno da academia.
Com certeza vai dar tudo certo, vou conseguir entrar.
Endireitei a postura e tentei passar pelo portão.
— Você aí!
Fui barrada num instante.
— Sim?
Olhei com um sorriso enorme pro que parecia ser um guarda.
Será que essa pessoa é uma pessoa comum?
— Você não é aluna daqui, é?
— Não.
— Então não pode entrar.
Ora, é mesmo proibida a entrada de quem não é aluno da academia? Se é assim, eu queria que tivesse escrito isso no manual do jogo.
Sendo assim, vamos ao plano B. Sinceramente, eu não queria usar um truque tão covarde assim…
— Eu sou Alicia, da família Williams. Vim entregar algo que meu irmão esqueceu. Pretende mesmo me mandar embora?
Falei isso encarando o guarda com um olhar feio. Claro que era mentira.
O rosto do suposto guarda foi ficando pálido de repente.
Só de a garotinha que até agora sorria docemente encará-lo feio, ele já ficou com esse rosto assustado… Que alegria. Muito obrigada por fazer essa cara. Consigo sentir de verdade que sou uma vilã.
— Da família Williams…
O suposto guarda murmurou isso enquanto recuava.
Hm? Será que ele ficou com medo só porque eu sou da família Williams? Queria minha alegria de agora há pouco de volta. De alguma forma, fiquei bem decepcionada.
No fim das contas, é só o nome da família que importa.
— Por favor, pode entrar.
Fui em direção ao prédio da academia, ainda com o ânimo baixo.