Capítulo 377
— O tempo vai resolver isso.
Essa era, de verdade, minha opinião sincera.
De fato, talvez a gente tenha feito algo que alimentasse a insegurança do povo. Mas, se algum morador do vilarejo da pobreza fizer algo de errado, tanto eu quanto o Duke estamos preparados pra assumir a responsabilidade.
E, além disso, temos o Nate e a Rebecca. Nunca vamos deixar que machuquem gente inocente. Nesse ponto, com certeza somos mais fortes que qualquer um. Porque nós mesmos, sendo inocentes, já fomos machucados no passado.
Entendemos essa dor melhor do que ninguém.
— …Bom, faz sentido, sim.
Dizendo isso, recebi das mãos do Paul um saco de papel com as três plantas dentro. Senti um cheiro levemente forte, que picava no nariz.
Esse cheiro pungente… deve ser o Torkis.
— Está assim tão mal, a pessoa?
O Paul me perguntou isso com um tom de desinteresse. Fiquei surpreso com a pergunta repentina.
Achei que ele já nem quisesse mais conversar comigo…
Pensando no vovô, respondi com uma voz fraca, "mais ou menos".
Eu não queria acreditar nisso o tempo todo, mas a realidade é que, mesmo que eu consiga desenvolver o remédio, o máximo que vou conseguir fazer é desacelerar a progressão. É difícil curar uma doença das manchas que já avançou tanto assim.
Talvez tentando consolar aquele meu ar de quem tinha perdido toda a confiança de repente, o Paul abriu a boca.
— Espero que você consiga salvar essa pessoa.
Aquela voz saiu calma e gentil.
— Obrigado. …Ah, e o pagamento.
— Não precisa. Não quero cobrar dinheiro de um pobre.
Parece um comentário afiado, mas o Paul sabe muito bem que eu tenho dinheiro agora. Afinal, estou sob os cuidados da família Williams, uma das cinco grandes famílias nobres.
O Paul gosta muito de dinheiro. É por isso, inclusive, que também trabalha como informante.
…Isso deve ser um gesto de boa vontade dele.
Fiquei olhando pro saco de papel que eu segurava com força.
— Fiquei te devendo.
— Não precisa retribuir nada. Vai logo.
Diante daquele jeito seco do Paul, agradeci mais uma vez e saí do lugar.
Peguei a carruagem e voltei correndo pra casa. Enquanto estava na carruagem, eu não conseguia me acalmar, ansioso pra começar a pesquisa o quanto antes.
Por algum motivo, senti que a carruagem estava mais lenta do que o normal.
Ficar ansioso agora não adianta nada. Repeti isso pra mim mesmo e fiquei olhando distraidamente pela janela.
Vi um campo de flores lindo, em plena floração. Iluminadas pelo sol, aquelas flores brilhavam como se fossem douradas. Com a brisa suave, as flores balançavam todas juntas, num movimento leve.
— Alicia, que bonito, não é?
Assim que disse isso, percebi, de repente.
Mesmo já fazendo um bom tempo desde que ela se foi, ainda continuo achando, sem perceber, que a Alicia está ao meu lado. Às vezes, num momento qualquer, sou tomado por uma sensação de solidão.
Eu não conheço meus próprios pais. Mas quem me deu um calor parecido com o de uma família foram o vovô e a Alicia. Se esses dois desaparecerem, talvez eu nunca mais consiga me reerguer.
Já tenho doze anos, então talvez devesse ser mais maduro. Mas não consigo mentir pro meu próprio coração. Mesmo me comportando com firmeza, existe uma parte de mim que, no fundo, sente essa solidão o tempo todo.
Nenhuma carta chega da Alicia. Mesmo sabendo, com certeza, que ela está viva, o fato de não ter nenhum contato me aperta o peito de ansiedade.
Eu queria que existisse algum aparelho capaz de me conectar com qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo… Um desejo absurdo e impossível como esse passou pela minha cabeça.
Olhando pras flores da cor dos olhos da Alicia, murmurei baixinho, pra mim mesmo, um pensamento que ninguém ia ouvir.
— Ei, Alicia, que paisagem você está vendo agora?