Capítulo 379
— Ah, e essa magia vai se desfazer daqui a alguns minutos, viu.
Diante dessa minha fala, tanto o Leon quanto o Victor ficaram paralisados. Os dois soltaram um "quê!?" ao mesmo tempo.
— Fala isso mais cedo!
O príncipe gritou comigo com um tom firme e saiu correndo com o cavalo. Nós o seguimos. O Rai, apesar de ser um leão, tem uma resistência física impressionante.
Bom, também é verdade que a gente não vinha correndo muito rápido antes de chegar nessa floresta…
O urso pareceu confuso ao ser deixado pra trás, mas agora não tinha tempo pra me preocupar com isso. Daqui a pouco ele vai ficar livre de novo, então fica tranquilo.
— A direção está certa?
— Como se eu fosse errar o caminho.
O príncipe descartou de imediato a preocupação do Leon. O Leon voltou o olhar pra mim.
— O instinto do príncipe é mais afiado que o de qualquer animal, então acho que está tudo bem.
— De uma hora pra outra você começou a me menosprezar, hein.
— Ah, não era essa minha intenção.
— Não tem como ele me respeitar.
O príncipe tentava entrar na conversa, mas o som dos cascos dos cavalos era alto demais, difícil de ouvir direito.
Correr por um terreno tão irregular fazia o corpo inteiro balançar, exigindo várias partes do músculo. O Rai era bem estável, mas ainda assim minha visão tremia um pouco.
…A visão dinâmica dos animais é realmente impressionante. Dá pra entender bem por que eles são muito mais aptos que os humanos em perceber o que acontece ao redor.
— Acho que já está bom, agora.
O príncipe desacelerou um pouco o ritmo do cavalo. Fugimos do urso, mas, até chegar aqui, avistamos vários insetos e animais perigosos. Essa floresta, diferente da Floresta que Leva à Morte, tem uma quantidade muito maior de criaturas vivas.
Ficar parado é o que há de mais perigoso aqui. Preciso subir logo até o penhasco…
Eu e o Leon seguimos o príncipe em silêncio.
De algum lugar, ouvia-se um som estranho, um rugido que eu nunca tinha escutado antes. Aquele som sinistro só fazia crescer nosso medo.
Caminhar por um lugar desconhecido exige mais coragem do que se imagina. Mesmo que a gente se perca, só resta lutar sozinho. …Foi uma tensão parecida com essa que senti na primeira vez que fui ao vilarejo da pobreza.
O Victor parou o cavalo de repente. À nossa frente, uma parede de rocha. Não dava mais pra avançar.
— É subindo por aqui.
A voz do Victor ecoou calma. Ergui o rosto e observei aquela parede.
Não imaginei que fosse tão alta assim. Não parece haver nenhum lugar pra descansar no meio do caminho — vai ser puramente uma batalha de resistência física.
— Se cair, é o fim, né.
Diante das palavras do Leon, assenti com a cabeça.
…Então é isso, estou mesmo indo buscar a tal Madi que aprendi na academia, há muito tempo. Que sensação estranha. Naquela época, nunca imaginei que fosse acabar indo pro reino de Lavarre.
— Só temos como deixar esses aqui e subir por conta própria.
O Victor desceu do cavalo e já começou a se preparar pra escalada.
Ir sem nem uma corda de segurança é praticamente ir em busca da própria morte. …Se eu desaparecer, será que este mundo muda de alguma forma?
— Está com medo?
Talvez percebendo minha ansiedade, o Victor me olhava com um sorriso maroto no rosto.
Pra não deixar transparecer nenhuma fraqueza, respondi com um sorriso, "de jeito nenhum".
— …Você é mesmo uma mulher nada fofa.
— Você queria que eu tivesse medo?
— Não, muito pelo contrário. Conseguir manter essa postura firme numa situação dessas — você é impressionante mesmo.
Fiquei um pouco sem reação, recebendo um elogio tão sincero assim do Victor.
Estar com o Victor sempre me dá a sensação de estar enfrentando algo com determinação de morrer, se for preciso.
Foi assim na expedição anterior também.
…Bom, com um nome de "Floresta que Leva à Morte", ninguém pensaria nela como passeio turístico mesmo.
— E você?
O Victor voltou o olhar pro Leon. Sem demonstrar nenhum medo, o Leon respondeu com calma.
— Estar quase morrendo é parte da minha rotina.
Que frase mais impactante. Nem parece algo que um garoto de quatorze anos diria.