Capítulo 387 – Doze Anos, Jill
Pra criar algo igual à Madi, testei centenas de combinações diferentes de fusão.
Se qualquer uma das três plantas estivesse a mais ou a menos, o resultado era um fracasso. Encontrar o método perfeito de combinação era uma tarefa extremamente difícil.
Pra encontrar esse equilíbrio, me dediquei com tudo que tinha. Como minha cabeça não funciona direito sem comer nem dormir, mantive esses dois momentos de descanso rigorosamente, mas dediquei todo o resto do meu tempo à pesquisa da Madi.
O Henry me disse que seria melhor pra minha saúde dar uma pausa lá fora de vez em quando, mas eu não tinha tempo pra isso. Dormir e comer eram os únicos momentos de descanso que eu me permitia.
Bom, na verdade, eu continuava pesquisando até enquanto comia.
Na maioria das vezes, achava que tinha chegado numa cor bonita, e, de repente, ela virava um preto sujo, sinal de fracasso. Teve algumas vezes em que quase começou um incêndio, e aquilo me deixou realmente apavorado.
Mas, curiosamente, a palavra "desistir" nunca passou pela minha cabeça, nem por um instante. Porque eu tinha a certeza absoluta de que ia conseguir.
Pra salvar o vovô, eu não posso falhar.
Fiquei repetindo esse ciclo sem parar: escrever a fórmula de combinação num papel, e rasgá-lo em seguida. Foi num desses dias que o Duke veio me visitar.
— Como estão as coisas?
Mesmo tendo ficado pouco tempo sem vê-lo, o Duke parecia, mais uma vez, ainda mais maduro do que antes.
Pra me forçar a não ter mais como fugir, menti pra ele.
— Está quase pronto.
— …Não se force demais de novo.
A mão grande do Duke acariciou minha cabeça.
Com certeza ele sabe que minha pesquisa da Madi não está avançando quase nada. Mas ele não diz nada sobre isso. Senti, mais uma vez, a gentileza do Duke.
— Obrigado. …O que te trouxe aqui hoje?
Perguntei isso, e o Duke tirou a mão da minha cabeça devagar, me olhando com os olhos sérios.
— Estou pensando em ir ver a Alicia.
Diante daquelas palavras, meu pensamento parou por completo. O Duke acrescentou mais.
— O Jill vem também?
…Vou poder ver a Alicia?
Meu coração se encheu de alegria por um instante, mas logo depois fui tomado pela ansiedade.
O que eu, do jeito que estou agora, teria pra me orgulhar diante da Alicia? No fim das contas, não deixei nenhuma marca enquanto ela esteve fora.
Foi o Duke quem desfez a magia da sedução da Kate Liz. Foi o Duke quem libertou o vilarejo da pobreza.
A única coisa de que posso me orgulhar agora é a possibilidade de conseguir criar o remédio pra doença das manchas. Mas ainda não cheguei lá.
Não posso encontrar a Alicia num estado assim.
Tomei uma decisão. O que eu deveria priorizar agora. Isso é algo que a Alicia sempre me ensinou.
— Eu… vou ficar.
Minha voz não tremeu.
O Duke respondeu calmamente, "entendi".
Com certeza, sendo ele, já deixou os assuntos da academia a cargo da Mel, do Albert e dos outros. Posso ficar tranquilo e me dedicar de corpo e alma à pesquisa da Madi.
— Então, vou indo. Manda um oi pra Alicia por mim.
Falei isso e abaixei o rosto. Por algum motivo, não conseguia olhar diretamente pro rosto do Duke naquele momento. Ele deu um leve tapinha carinhoso na minha cabeça e saiu do lugar.
O som dos passos do Duke foi se distanciando.
Tentei, de algum jeito, organizar os sentimentos todos bagunçados dentro de mim.
Na verdade, eu queria muito, muito ver a Alicia. Se o vovô não estivesse com a doença das manchas, eu já teria saído correndo agora mesmo.
Controlei minhas emoções à força de razão.
…Não tenho tempo pra chorar. Preciso criar esse remédio. Preciso provar que essa minha decisão foi a certa.
Enxuguei as lágrimas que quase escorriam e peguei de novo as três plantas, voltando a combiná-las.