Capítulo 388
Só uma pequena quantidade de Torkis. Se eu não errar a proporção de Lipsim e Karan, deve dar certo.
Fui colocando, com cuidado e atenção, os ingredientes no béquer que já estava sendo aquecido.
Enxuguei com a mão o suor que escorria da testa.
Se eu falhar dessa vez, acabou. …Não tenho mais ingredientes.
Eu já sabia, desde o começo, que não seria fácil, mas nunca imaginei que fosse tão difícil assim. Não é algo que se consiga criar só sabendo os componentes.
Bom, pensando bem, faz sentido. Afinal, não seria tão fácil assim recriar a própria Madi.
Mexi devagar as três plantas que se misturavam. Nem rápido demais, nem devagar demais. Cada movimento importava.
— …Por favor, dá certo dessa vez.
Eu não queria que todo o esforço até agora tivesse sido em vão.
Esperei um tempo pra ver a mudança de cor. O líquido dentro do béquer estava ficando com uma cor bonita.
É agora que a coisa realmente começa a valer.
Só me restava rezar pra que não virasse aquele preto sujo de sempre. Fiquei olhando fixamente pro interior do béquer por um bom tempo.
Por favor, mantenha essa cor, esse verde-claro tão bonito.
Gritei isso desesperadamente dentro de mim, mas fui percebendo, aos poucos, a cor mudando.
Ah, falhei de novo. Não consegui criar o remédio de novo…
Toda minha força se esvaiu num instante, e desmoronei ali mesmo.
Frustração, raiva de mim mesmo, e desespero. Será que eu realmente não sirvo pra nada…
Fui tomado por uma sensação de vazio, sem conseguir nem chorar. Só consegui ficar ali sentado, aturdido.
O que eu faço agora… Por enquanto, preciso descartar esse fracasso dentro do béquer.
Me levantei devagar. Percebi que a cor dentro do béquer estava diferente do de sempre.
Sem querer, deixei escapar um "hã".
…Laranja?
Um líquido laranja-claro estava dentro do béquer. …Não é uma cor feia.
— Isso é a resposta certa?
Aproximei o rosto do béquer e senti o cheiro. Não tinha absolutamente nenhum mau cheiro, só um aroma levemente doce.
Mesmo com a cabeça em confusão, sentia uma alegria tomando conta do corpo inteiro. Não existe felicidade maior que essa.
Um calor forte subiu do fundo do meu peito, e meus olhos começaram a marejar.
Que bom, que bom mesmo… Eu consegui. Todo aquele esforço desesperado não foi em vão.
Mesmo sem conseguir a Madi de verdade, consegui criar o remédio.
— Com isso, dá pra salvar uma vida que, antes, não teria salvação.
Ei, Alicia, eu consegui. Eu me esforcei.
Então, volta logo. Vem ver o resultado do meu esforço.
Falei mentalmente com a Alicia várias e várias vezes. Mesmo sabendo que não teria resposta, eu não conseguia deixar de fazer isso.
Tenho certeza que a Alicia diria "digno do meu Jill! Muito bem!" e me abraçaria.
Fiquei imaginando isso e soltei um suspiro de alívio.
Agora só falta levar isso até o vovô. ……………A doença dele já avançou tanto que talvez nem beber o remédio agora consiga salvá-lo.
Ao mesmo tempo que imploro pra que ele viva, eu sei muito bem o real estado dele.
Mesmo assim, se ele beber esse remédio, talvez consiga prolongar um pouco mais a vida. É nessa esperança que eu me apoio.
Transferi o líquido laranja do béquer pra um frasco e saí correndo do quarto.