Capítulo 389
Cheguei ao palácio real e corri em direção ao quarto do vovô, segurando com força o frasco com o remédio contra a doença das manchas.
O sentimento de urgência de "preciso ser rápido" era tão forte que, sem perceber, meus passos ficaram cada vez mais largos. Já tinha vindo ao palácio real tantas vezes que consegui chegar até o quarto do vovô sem me perder nem uma vez.
Minha respiração ficava ofegante, misturando a empolgação de ter terminado o remédio com a urgência de chegar logo até o vovô.
Quando o quarto do vovô já estava visível, a porta se abriu com um clique.
De dentro, saiu o Henry, carregando um maço grosso de documentos.
…Por que o Henry estava ali?
Parei e fiquei olhando fixamente pra ele. Talvez percebendo meu olhar, o Henry cruzou os olhos comigo.
— Jill!
Ele sorriu, feliz, e se aproximou de mim.
Como eu tinha ficado trancado no quarto o tempo todo, quase não tinha visto o Henry ultimamente. Acho que ele estava, de propósito, cuidando pra não me atrapalhar.
— Você estava bem?
Que fala estranha, considerando que moramos na mesma casa.
— Sim, estou bem. …Por que você estava saindo do quarto do vovô?
— Ahn…
Diante da minha pergunta, o Henry hesitou.
— Está escondendo alguma coisa?
— Não, não é isso… só que…
— Só que? O que você estava fazendo com o vovô? E esses papéis, o que são?
Fui insistindo pra que ele não conseguisse escapar. Ele, com um ar de quem já tinha desistido, abriu a boca.
— São documentos que recebi do Senhor Will.
"Senhor Will" — um tratamento incomum que me causou um leve estranhamento, mas fiquei quieto, ouvindo o que o Henry tinha a dizer.
— …Provavelmente ele não tem muito tempo de vida. Por isso, está fazendo com toda força tudo que precisa resolver enquanto ainda está vivo. Isso aqui são documentos com informações detalhadas sobre os moradores do vilarejo da pobreza, coletadas pelo Nate e pela Rebecca, e materiais pra ajudar a dar profissões a eles, pra que consigam viver de forma independente neste reino. É claro que os criminosos de verdade que estavam lá já foram levados pra outro lugar. Ele planejou tudo com tanto cuidado que chega a ser de tirar o chapéu.
Não consegui acompanhar direito o que o Henry ia dizendo, com aquele tom calmo.
…Será que, enquanto eu estava trancado, a situação já tinha piorado tanto assim?
— Posso entrar no quarto?
Diante do meu murmúrio, o Henry fez uma expressão levemente pesarosa.
— O Senhor Will não quer te ver agora. Parece que ele não quer que o Jill o veja num estado tão fraco.
— Por quê!? O vovô me odeia? Isso é cruel! Cruel demais!
Levantei a voz, descarregando em cima do Henry. Ele não disse nada.
— Não querer me mostrar um estado que não seja de saúde plena, isso quer dizer que eu sou um estranho pra ele? Eu aceito ele de qualquer jeito que ele estiver!
— Você não entende? É justamente pro Jill que ele não quer mostrar um lado fraco. Você não entende o desejo dele de continuar sendo admirado pela Alicia e pelo Jill pra sempre? Esse é o desejo do Senhor Will.
Foi a primeira vez que o Henry levantou a voz comigo.
Eu entendia o que ele queria dizer, mas não queria aceitar aquilo. Eu não queria nunca mais poder ver o vovô.
— Isso é puro egoísmo dele! ……………Ei, Henry, sabe, eu consegui desenvolver um remédio com os mesmos componentes da Madi.
"Quê", o Henry arregalou os olhos. Parecia ter perdido as palavras, ficou de boca aberta sem dizer nada. Segurando as próprias emoções, continuei falando.
— Finalmente, finalmente terminei. Então, vou salvar o vovô. E depois disso, quero que ele me elogie bastante…
Minha voz tremeu. Segurando as lágrimas, abaixei a cabeça.
— De fato, dizer que não quer te ver é egoísmo do Senhor Will. Vai lá e mostra pra ele o que você sente de verdade. …Mas não esquece disso: o Senhor Will ama o Jill mais do que qualquer coisa neste mundo.
A mão quente do Henry acariciou minha cabeça.
Muita gente costuma acariciar minha cabeça. Sempre sinto como se estivesse sendo elogiado, e meu coração se enche de felicidade com isso.
Quem mais acariciou minha cabeça até agora foi o vovô. A mão dele é a que mais me traz tranquilidade. Toda vez que aquela mão grande e áspera me reconhecia, eu conseguia continuar me esforçando.
— Vou até lá.
"Certo", o Henry murmurou com uma voz gentil, e tirou a mão da minha cabeça.
Fiquei parado em frente à porta do quarto do vovô. Segurei firme as lágrimas que quase transbordavam antes, e respirei fundo.
Não posso mostrar ao vovô um estado tão choroso assim.
Firmei o ânimo e abri a porta devagar, sem bater.
— …Você realizou uma proeza e tanto, hein.
O Henry murmurou algo baixinho, mas não consegui entender o que foi.