Capítulo 402
— Ela é mesmo uma mulher boba.
Percebendo a Alicia e o Duke parados, o Victor, que observava os dois de longe, abriu a boca. Debaixo da chuva, o Victor e o Leon ficaram olhando pra Alicia com as sobrancelhas franzidas.
Foi a primeira vez que viram a Alicia chorando, e aquilo os deixou abalados. A Kushana, sem mudar de expressão, ficou em silêncio.
— Eu tenho respeito por essa mestra tão boba.
— É mesmo? …Tomar uma decisão dessas não parece nada infantil.
— Ficou aliviado?
Diante das palavras do Leon, o Victor franziu ainda mais as sobrancelhas, "hã?".
— Ficou aliviado ao saber que a mestra vai continuar mais um pouco no reino de Lavarre?
— O que você está insinuando?
— Eu fiquei aliviado. Acho bom que essa pessoa não tenha ido embora.
Diante da resposta calma do Leon, o Victor não conseguiu dizer mais nada.
No meio da chuva forte, o choro da Alicia ecoava. O Leon e o Victor, cada um carregando seus próprios sentimentos, ficaram observando a Alicia em silêncio.
— Não sei o que aconteceu, mas é melhor deixá-la descansar logo. Afinal, ela colheu a flor sagrada — é até estranho ela ainda estar de pé, conversando.
Diante das palavras da Kushana, o Leon reagiu.
— …Por que será que a mestra consegue se sacrificar tanto assim pelos outros?
— Deve ser da natureza dela.
A voz calma da Kushana ecoou.
No mesmo instante, o Victor se aproximou do Duke e falou.
— Vem logo.
O Duke, passando a mão pelo cabelo azul molhado, respondeu curto, "certo", e ergueu a Alicia nos braços.
A Alicia parecia ter chorado até cansar e adormecido. A parte de baixo dos olhos dela estava avermelhada, o rosto coberto de exaustão.
O Victor sentiu um desconforto obscuro ao ver o Duke carregando a Alicia. Não conseguia deixar de pensar que, normalmente, deveria ser ele quem estaria carregando a Alicia adormecida.
Observando o Victor, o Leon sentiu, de certa forma, pena dele.
Será que quem é criança de verdade não é justamente o Victor, incapaz de perceber os próprios sentimentos?, pensou o Leon, em silêncio.
Num clima um pouco pesado, todos seguiram atrás da Kushana, que caminhava com passos largos. Foi o Victor quem quebrou o silêncio.
— Ei, essa aí é uma exilada, não é? Então quer dizer que existe um monte de gente, no seu reino, que não sabe valorizar ela direito.
Diante daquela voz afiada e calma, o Duke não conseguiu responder nada. O Leon, sem querer, voltou o olhar pra expressão do Duke.
Sem nenhuma expressão no rosto, ele não demonstrava intenção nenhuma de responder às palavras do Victor. Talvez irritado com aquilo, o Victor acrescentou mais.
— Não seria melhor pra essa pirralha ficar neste reino, em vez de ficar num lugar cheio de gente que não entende o valor dela?
— …O que você quer fazer com a Alicia?
O Duke devolveu a pergunta, calmo.
O Victor parou de andar e encarou o Duke diretamente, como se quisesse atravessá-lo com o olhar.
A chuva realçava ainda mais o brilho do cabelo loiro do Victor. Dava pra sentir, só pela postura dele, a dignidade de um membro da realeza.
Foi a primeira vez que o Leon viu o Victor com uma expressão tão séria assim, e ficou hipnotizado por aquela imagem. A Kushana também percebeu aquilo, parou de andar e voltou o olhar pro Victor e pro Duke.
— Eu quero que ela esteja ao meu lado quando eu me tornar rei.
Por um instante, o som da chuva batendo no chão pareceu sumir — só a voz grave e pesada do Victor ecoou nos ouvidos do Duke.