Capítulo 41 – Quinze Anos, Curtis, Filho Mais Velho da Família Kenwood
Atualmente com quinze anos — Curtis, filho mais velho da família Kenwood.
Eu sou nobre, mas não faço parte das cinco grandes famílias que sustentam o país. Sou especialista em magia verde.
Todos os meus amigos são das cinco grandes famílias, mas eu nunca tive complexo por ser diferente deles. Isso é graças, com certeza, ao caráter deles.
Um assunto que sempre surgia entre a gente era sobre Alicia, a irmã de Albert, Alan e Henry.
Tínhamos ouvido que ela era uma garota egocêntrica e arrogante. Já que Albert, Alan e Henry não tinham nada desse jeito, fiquei surpreso ao ouvir aquilo. Fiquei curioso sobre essa garota e quis conhecê-la.
Depois, quando finalmente a conheci, era completamente diferente do que eu esperava. Até o próprio Albert ficou surpreso, dizendo que ela parecia outra pessoa. Não sei o que aconteceu com ela.
Mas, no instante em que Alicia puxou a espada da cintura de Albert e cortou a maçã perfeitamente ao meio, meu coração ficou dormente de tanta emoção. Não parecia nem um pouco um golpe que uma garota de sete anos, que mal tinha tocado numa espada, pudesse fazer.
Depois disso, foi uma surpresa atrás da outra. Alicia treinava esgrima pesado todo dia e, depois, passava dez horas na biblioteca lendo mais de cem livros. E, à noite, ainda saía escondida do quarto pra treinar golpes de espada sozinha. Difícil de acreditar que era uma garotinha tão pequena fazendo tudo isso.
E, além disso, na conversa com o rei, deu pra perceber o quão perspicaz e sábia ela era. Ouvi as duas conversas entre Alicia e o rei, e, mesmo diante do rei, ela falava suas ideias com uma postura firme, sem se intimidar. Fiquei surpreso por ela entender na hora o que o rei dizia, mas o que mais me surpreendeu foram as próprias ideias que ela propunha.
Como Gale murmurou naquela vez, gênio deve ser uma palavra feita justamente pra alguém como ela.
A proposta que ela fez aos sete anos, de apoiar a independência de Calverra do domínio de Lavarre, foi realmente impressionante. Vender um favor pra gerar lucro e enriquecer ainda mais a economia… A ideia é sem dúvida racional, mas o problema é que o Reino de Lavarre é grande demais. Se provocarmos uma briga com Lavarre, aquele país com certeza vai ser esmagado.
E outra coisa que me surpreendeu foi o Duke ter se interessado por Alicia. Eu percebi na hora que aquele interesse era afeto de verdade. Muitas mulheres, incluindo criadas, se apaixonavam pelo Duke, mas ele nunca demonstrou nenhum interesse por nenhuma delas. Na verdade, ele até achava incômodo. E esse mesmo Duke estava nutrindo afeto por uma garota cinco anos mais nova.
Alicia com certeza vai se tornar uma mulher capaz de encantar qualquer um. Cabelos negros brilhantes, olhos dourados translúcidos — sem dúvida vai virar uma das mulheres mais bonitas do mundo. Quero ver com meus próprios olhos ela se tornando essa mulher.
Mesmo depois de entrar na academia de magia, não importava quão bonita fosse a garota que se aproximasse, ele não demonstrava interesse nenhum. Dentre todas, a que mais ficou na minha memória foi uma garota que veio pra essa academia sendo plebeia.
Uma garota com a mesma cor de cabelo de Alicia e olhos verde-esmeralda. Virou boato na academia inteira, já que nunca tinha havido precedente de um plebeu vir pra essa academia. E, além disso, ela era um ser raro, capaz de usar todos os tipos de magia. Todo mundo se interessou por ela. E, ainda por cima, era esforçada. Mas, comparada a Alicia, a diferença é como do céu pro chão.
Aquela garota plebeia, chamada Liz Cather, tinha um nível de inteligência à altura de conversar de igual pra igual com Duke. Todo mundo a respeitava, e até Duke ficava surpreso com a inteligência de Liz.
Duke conversava bastante com Liz também. Segundo os boatos, chegaram a dizer até que era um caso de amor correspondido.
Liz, no começo, sofria bullying, mas todo mundo acabou se encantando com a gentileza inocente dela, e o bullying parou logo. Uma vez, vi o Duke ajudar Liz quando ela estava sofrendo bullying. Ao ver Liz procurando um livro didático que tinham escondido dela, Duke começou a procurar junto, em silêncio.
Pra Duke, aquilo era só amizade — não havia sentimento romântico algum. Mas, com Liz, era diferente. O olhar que ela dirigia a Duke era, sem dúvida, de amor.
A partir daí, Liz passou a ficar sempre perto de Duke. Duke não sentia nada especial, mas Liz sempre ficava vermelha quando estava perto dele.
Cheguei a receber alguns pedidos de conselho da Liz. Ela me perguntou o que fazer pra que Duke reparasse nela, e, sem perceber, acabei dando uma resposta que eu mesmo achei fria.
— Você nunca vai conseguir superá-la.
E, agora, estamos observando ela, com aquela mãozinha segurando o giz, escrevendo fluentemente na grande lousa da antiga biblioteca da academia.