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I’ll Become a Villainess That Will Go Down in History – Capítulo 447

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Capítulo 447

Cheguei ao vilarejo da pobreza. …Ou melhor, talvez seja mais correto dizer "antigo vilarejo da pobreza".

…Depois de tanto tempo sem ver, o ar aqui ficou muito mais limpo.

Não sobrou nem sinal do lugar que eu conheci da primeira vez que vim aqui. Aquela imagem de lugar sujo e perigoso desapareceu completamente.

Tudo isso graças ao tio Will, à Rebecca e aos outros.

A Rebecca fica muito grata a mim, mas eu não fiz nada. Só dei a eles a chance de reformar o vilarejo da pobreza.

Quem realmente é admirável são as pessoas do vilarejo que souberam aproveitar essa chance.

Andei devagar em direção ao interior do vilarejo.

Se o Jill estiver em algum lugar, deve ser… na casa do tio Will.

Corri em direção à casa do tio Will.

Depois de tanto tempo sem vir aqui, senti uma saudade profunda. Foi neste vilarejo que conheci o tio Will, e foi graças a isso que conheci o Jill — acho que minha vida mudou completamente por causa disso.

— …Jill?

Chamei assim, entrando na casa do tio Will.

Ué…? O Jill não está aqui?

Não havia sinal do Jill dentro da casa do tio Will. Também não parecia estar escondido debaixo da cama…

Onde será que ele foi?

— Eu tinha tanta certeza de que ele estaria aqui…

Saí da casa do tio Will e comecei a procurar por todo o vilarejo da pobreza.

Esse vilarejo é surpreendentemente grande, na verdade.

Realmente, faz sentido que seja um lugar adequado pra desenvolvimento militar.

Enquanto eu rodava pelo vilarejo, avistei um garoto parado sozinho, em pé sobre um terreno completamente vazio.

Jill! — gritei dentro do meu coração, e corri até ele.

Quando cheguei perto, diminuí o passo e fiquei parada, quieta, ao lado dele. Como se tivesse percebido minha presença, o Jill esfregou os olhos com a mão direita.

Deve ter enxugado as lágrimas pra não me deixar ver que estava chorando.

— Alicia, você veio.

— Sim — respondi, curta.

O Jill continuava olhando distraidamente pro terreno vazio. Esperei pelas palavras dele.

— …Esse era o lugar onde ficava a minha casa.

— …Entendo.

— Não sobrou absolutamente nada. Mas tudo bem assim. Eu não tenho lembranças com meus pais, nem tenho mais casa, mas eu tenho um lugar pra onde voltar.

A voz dele tremia levemente, mas ainda assim ele conseguiu dizer isso com firmeza.

— …Só que, agora, mesmo com a Alicia aqui, sinto como se eu tivesse perdido o lugar pra onde voltar.

— A existência do tio Will era mesmo grande demais, não é?

Não sei o que dizer numa hora dessas.

Eu não sei consolar alguém que está triste. E, além disso, nem tenho vontade de aprender.

Eu tenho um orgulho firme de ser, acima de tudo, uma vilã. De fora, talvez pareça idiota.

Talvez alguém ache que eu devia largar esse tipo de orgulho tão sem sentido. …Mesmo assim, esse orgulho é indispensável pra mim.

Foi esse orgulho que construiu quem eu sou hoje — …isso, eu não posso abrir mão de jeito nenhum.

— Eu sei que preciso seguir em frente, mas não sei mais o que fazer. Na cabeça, eu sei o que tenho que fazer, mas meus sentimentos não conseguem acompanhar.

Dizendo isso, o Jill começou a chorar, com lágrimas grossas escorrendo dos olhos.

…Não existe ninguém capaz de mudar os próprios sentimentos com tanta facilidade assim. Mas é preciso fazer isso mesmo assim.

Podem me chamar de fria, mas acho que é assim que quem tem poder precisa viver.

— A Alicia é tão forte… …Como você consegue ficar tão tranquila assim?

O Jill disse isso enquanto olhava na minha direção.

Eu tinha decidido que não choraria mais, desde o funeral do tio Will.

Talvez eu esteja só me sufocando por conta própria, mas tudo bem assim.

Virei devagar na direção dele. Nos olhos marejados dele, via meu próprio rosto refletido. Fiz o máximo pra não deixar transparecer ali a imagem de uma garota fraca, prestes a chorar.

— …Pois é. Basta um instante pra pensar em quem já morreu. Agora, precisamos pensar em como nós, que ainda estamos vivos, vamos agir.

— Isso não é meio frio demais?

Achei que percebi um pouco de raiva na voz do Jill.

— De que adianta parar o seu tempo junto com quem já morreu? O tio Will não vai voltar mais.

— Eu sei disso! Mesmo assim, essa sua atitude está estranha.

O Jill me encarou, chorando, com um olhar de reprovação. Era a primeira vez que ele olhava pra mim assim desde a primeira vez que nos conhecemos.

Devo estar parecendo alguém sem sangue nem lágrimas aos olhos dele. …Mas, se eu também desmoronar aqui, de que vai adiantar?

Antes de desmoronar junto com ele, prefiro, com prazer, virar alguém frio e calculista.

— Não importa o quanto a gente grite, não importa o quanto a gente deseje, ele não vai voltar à vida, sabia?

— Eu sei! Eu sei disso!! Mesmo assim, isso é estranho!! Porque a Alicia também amava muito o vovô!!

Diante das minhas palavras, o Jill levantou a voz.

Como eu não respondi nada, o Jill continuou, quase me pressionando com mais palavras.

— Você esqueceu que foi o vovô quem te ajudou, que foi graças a ele que você conseguiu crescer!? Esqueceu o quanto ele te amou—

— Isso é o que significa ir mais alto, Jill.

Interrompi as palavras do Jill, respondendo assim.

O Jill se calou diante das minhas palavras. Continuei falando, encarando diretamente os olhos dele.

— Tudo bem se acharem que eu sou fria, sem sentimentos. A posição em que estamos aperta as pessoas. …Pode parecer que uma vilã devia viver com muito mais liberdade, mas eu não pretendo ser esse tipo de vilã de nível baixo.

Um simples gesto ou palavra nossa pode custar a vida de muita gente. Alguém numa posição assim não pode ficar remoendo pra sempre.

— …Eu sei disso.

O Jill murmurou baixinho. Aquela voz soou surpreendentemente madura.

Sem perceber, as lágrimas do Jill já tinham parado.

— E, além disso, a Alicia está chorando também.

Eh — soltei sem querer, diante das palavras dele.

— Por fora você finge força desse jeito, mas por dentro está chorando e gritando o tempo todo, no fundo do seu coração. Acho que fiquei irritado justamente por você não dividir essa dor comigo. Desculpa por ter gritado com você.

Balancei a cabeça devagar, diante das palavras do Jill.

— Pra ficar do seu lado, Alicia, pra servir você, eu também preciso crescer, não é?

— …Está tudo bem servir uma vilã?

— É uma honra receber o sorriso de uma vilã.

Com os olhos ainda vermelhos, o Jill sorriu, com uma expressão feliz.


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