Capítulo 470
Saímos da antiga biblioteca, e eu e o Jill fomos procurar o Curtis-sama.
Por enquanto, a estratégia é abordar ele diretamente e ver como reage.
Mesmo que eu não consiga puxar assunto sobre a Mel de forma disfarçada, é melhor pelo menos entender qual é a impressão que o Curtis-sama tem sobre romance.
Mesmo que a Mel e o Curtis-sama não acabem se tornando um casal, tenho certeza de que ela quer ser, ao máximo, a garota mais fofa possível aos olhos dele.
Acho que é assim que funciona pras garotas. Quando a gente se apaixona por alguém, sempre quer se aproximar do que essa pessoa considera "fofo".
Ainda que virar o tipo ideal dele nem passe pela cabeça da Mel.
— Mesmo assim, foi surpreendente descobrir que a Mel gosta do Curtis-sama.
— …Será?
— Espera, você já sabia?
— Não é bem que eu sabia… mas tinha uma leve sensação.
Eu tinha um monte de coisas que queria perguntar — quando, onde, por quê? — mas não posso subestimar a capacidade de observação do Jill.
Com certeza, a capacidade dele de "perceber as coisas" é mais afiada do que a de qualquer outra pessoa.
— ……………Ah!
Tive uma ideia melhor do que ir perguntar diretamente ao próprio Curtis-sama.
Enquanto eu pensava sobre a capacidade de observação do Jill, tinha esquecido de uma pessoa que com certeza tem boas informações sobre as relações entre os nobres.
— O que foi?
O Jill me olhou com desconfiança, diante do meu grito repentino.
— Vamos pra cidade!
— Hã? Pra cidade, assim do nada?
— Vamos visitar o senhor Paul.
Ele, com toda certeza, deve ter informações sobre o Curtis-sama.
— …Entendo, isso realmente parece uma boa ideia.
— Não é!?
— Mas, Alicia, você foi vista pelos cidadãos antes, quando foi capturada na mansão e levada até o palácio real, antes do exílio… isso… você tem certeza que vai ficar tudo bem?
— Tudo bem com o quê?
Ser vista como vilã é maravilhoso! Não podia ser melhor!
Estou justamente me aproximando de quem eu quero ser. Por que eu me preocuparia com isso?
— Até agora foi na academia, mas achei que talvez fosse pesado receber hostilidade também dos cidadãos comuns.
— Ah.
Sem querer, caí na risada.
— Ei, eu estou falando sério…
— Sim, eu sei. Obrigada.
Afaguei a cabeça do Jill.
Nunca imaginei que ele estivesse preocupado com uma coisa dessas.
— Eu sou uma pessoa que foi exilada pro reino de Lavarre e voltou viva de lá, sabia?
Diante das minhas palavras, o Jill ficou paralisado por um instante e murmurou: "é verdade, a Alicia é assim mesmo".
Mesmo que os cidadãos me lancem provocações, vou tratar isso com o mesmo peso de pequenos insetos fazendo barulhinho por aí.
— Sabe, eu andei pensando numa coisa…
— O quê?
— Só a Alicia mesmo, viu, pra sair correndo por aí sem escolta nem criada nenhuma.
— Não é "sair correndo por aí"… fala que estou "indo visitar" um lugar. Eu não sou uma menina levada, sabia.
— Tanto filhas de nobres quanto vilãs são alvos de perigo. Mesmo assim, a Alicia sempre agiu sozinha, com o próprio corpo, o tempo todo. Agora entendo bem o sofrimento do Arnold.
— É que o primeiro lugar aonde eu fui sozinha foi o vilarejo da pobreza. Comparado com aquilo, a cidade é praticamente o paraíso.
— Tem razão.
O Jill concordou com força diante das minhas palavras.