Capítulo 471
Fazia tempo que eu não vinha à cidade.
Segui em frente com o coração animado. Gosto muito dessa cidade tão cheia de vida.
Estando aqui, sinto que este é mesmo um bom reino.
Minhas lembranças da cidade se resumem quase só à loja de plantas. Eu quase nunca me envolvia com este lugar, nem costumava vir muito.
Bem, é que eu sempre ia direto pro vilarejo da pobreza, com tanta frequência…
— Ei, será que a gente não dá uma olhada ali?
Parei de repente e fiquei encarando uma loja.
Não conseguia tirar os olhos de uns lenços bordados, arrumados de forma linda na vitrine.
Senti como se tivesse encontrado algo maravilhoso, ali naquela cidade.
— Pode ser. Ninguém vai brigar com a gente por dar uma paradinha.
O Jill disse isso e me acompanhou até a loja.
Uma loja que vende só lenços é bem rara, acho eu. Meio animada, abri a porta da loja.
Tilintou um sininho fofo. No mesmo instante, ouvi uma voz fofa dizendo "sim, pois não".
Do fundo da loja, apareceu uma garota mais ou menos da minha idade.
…Uma menina de jeito quieto e tranquilo.
Cabelo castanho-avermelhado, macio e cacheado, preso num meio-rabo, com um ar calmo. Dava pra sentir refinamento na atmosfera dela.
Vindo de mim, isso até que soa engraçado, mas… ela parecia ter sido bem-criada.
A decoração da loja também era muito bonita, refinada. …Refinada demais pra estar no meio de uma cidade comum.
Parecia mais o tipo de loja que ficaria num bairro nobre.
— …Que pessoa bonita.
Nossos olhares se cruzaram, e antes que eu dissesse qualquer coisa, ela deixou escapar isso, olhando fixamente pra mim.
Ah, que elogio agradável.
Sorri pra ela e disse "obrigada".
Mesmo caída em desgraça, ainda sou uma nobre. Minha etiqueta continua impecável.
— Ah, desculpa, falei isso do nada…
Ela levou a mão à boca, assustada com o próprio comentário.
— Er, a senhorita está procurando algum lenço?
Ela perguntou isso, me olhando com certo receio.
Não precisa ter tanto medo assim. Só porque sou vilã, não significa que vou gritar com ela do nada.
— Vi uns lenços tão bonitos expostos, e fiquei curiosa.
— Muito obrigada!
Diante das minhas palavras, o rosto dela se iluminou na hora.
— Você mesma que faz?
Olhei ao redor da loja, observando os lenços.
Todos tinham desenhos únicos, num estilo que eu quase nunca tinha visto antes. Em outras palavras: não pareciam refletir a cultura do reino de Dulkis.
— Sim. Eu faço junto com meus pais.
Toquei num dos lenços que estava ali na minha frente.
Só de sentir a textura, dava pra saber que era um material de ótima qualidade. O acabamento também era muito caprichado.
— Esse desenho é…
— Isso é… bem…
Ela começou a falar, com um ar meio hesitante, mas nesse exato momento a porta tocou de novo: tilintou, tilintou.
Entraram um homem e uma mulher cobertos de acessórios extravagantes.
Dava pra ver, num olhar só, que tinham dinheiro… mas, por algum motivo, não conseguia sentir refinamento nenhum vindo deles.
Tinham um ar arrogante que me causou uma leve repulsa.
— Sejam bem-vindos.
Do fundo da loja, saiu alguém que parecia ser o dono. Deve ser o pai dessa garota. Os rostos não eram muito parecidos, mas o cabelo castanho-avermelhado e macio era idêntico.
Alto, com uma impressão gentil.