Capítulo 475
Com um pequeno "eh", o casal devagar voltou o olhar pra mim.
Nossos olhos se cruzaram — os deles estavam cheios de medo. O rosto de ambos estava tão pálido que dava a impressão de estarem passando mal.
— Williams… Ali, ci, a-sama?
A boca deles se abria e fechava feito um peixinho dourado, e quase caí na risada, sem querer.
Não que eu dependa do nome da minha família, mas, vendo esse tipo de reação, sinto de verdade o peso das cinco grandes famílias.
O dono da loja e a Isabela também me olhavam fixamente, surpresos.
…Será que aproveito e aplico um pouco de pressão?
Intimidar deles combina mais com uma vilã, não é? Isso é o castigo por terem pisoteado o lenço.
Confirmei que já tinha se formado uma multidão ao redor da loja. É claro que todo mundo ia querer ver quando o presidente da companhia comercial Ojes e o filho dele armam esse tipo de escândalo.
E, além disso, quem está do outro lado sou eu, a vilã!
Sem dizer nada, lancei apenas um olhar cortante na direção do homem, exibindo toda a dignidade de uma nobre das cinco grandes famílias.
Não só o homem, mas a mulher também estremeceu e imediatamente encostou a cabeça no chão.
— Não sabíamos que era a senhorita Alicia. Sentimos muitíssimo.
Que sem graça, mudar de atitude num piscar de olhos desse jeito.
Se ele estava tão arrogante assim, que ao menos mantivesse aquela postura até o fim.
Continuei olhando pra eles de cima pra baixo, sem dizer nada. Dava pra sentir que até as pessoas reunidas em frente à loja prendiam a respiração diante daquela tensão.
Logo em seguida, o presidente também curvou a cabeça.
— Peço mil desculpas pela atitude desrespeitosa do meu filho inútil.
No mesmo instante, os seguranças atrás dele também curvaram a cabeça na minha direção.
…Nossa, eu realmente pareço mesmo uma vilã.
Fazia tanto tempo que eu não saía pela cidade, e agora estou recebendo tanta reverência assim… Estou curiosa pra saber que tipo de boato vai circular amanhã sobre Alicia Williams!
Como eu continuava sem dizer nenhuma palavra, o homem, incapaz de suportar aquela pressão, acabou abrindo a boca.
— Não sabíamos quem era a senhorita, e por isso agimos de forma tão desrespeitosa, sinto muito—
— Se eu não tivesse título nenhum, você teria continuado com essa mesma arrogância pra sempre, não é?
Curvar a cabeça agora não muda o passado.
Pessoas como ele precisam, sim, levar um golpe forte de vez em quando. Aliás, duvido que alguém mais fosse ter coragem de dizer isso a ele.
No mundo dos negócios, as pessoas simplesmente se afastam em silêncio. Encontrar comigo só antecipou um pouco o declínio dele.
— Como o senhor deseja, nunca mais vou usar essa companhia comercial.
Disse isso com um sorriso, e o homem ergueu o rosto. Alguns segundos depois, o presidente também ergueu a cabeça.
— Aquilo foi—
Quando o homem tentou retrucar, cortei a fala dele:
— Você não é um pouco idiota? Se você trabalha com negócios, deveria considerar todo mundo, exceto você mesmo, como um cliente em potencial. Nunca se sabe onde ou com quem você vai se encontrar. …Se você nem entende uma coisa dessas, é melhor nem sequer dizer o nome da sua companhia em voz alta.
Ninguém disse mais nada. …É claro, afinal, não existe ninguém aqui capaz de me contrariar.
Peguei o lenço no chão, sujo com a marca do sapato.
— É verdade que vocês têm o direito de escolher seus clientes. Mas o cliente também tem o direito de escolher a loja. …Só que você precisa entender que nem esse direito de escolha você tem. Não existe nada mais patético e vergonhoso do que uma raposa se aproveitando do prestígio de um tigre.
Vou dizer tudo o que tenho vontade de dizer, sem economizar palavras.
Afinal, tenho a chance de construir minha reputação de vilã diante de tanta gente assistindo!
Usei magia no lenço sujo, e num instante ele voltou ao estado impecável de antes.
— Se não gostam disso, é só não se meterem. Vir aqui de propósito só pra soltar essa avalanche de insultos… vocês devem ter tempo demais sobrando, hein.