Capítulo 474
— …O quê? Repete isso de novo.
O homem tinha o rosto tomado por uma fúria que dava a impressão de que ele ia partir pra cima a qualquer momento.
Se eu revelasse meu nome agora, como será que ele reagiria? …Mas já não gosto tanto assim de calar as pessoas usando o nome da minha família.
— Estou dizendo que existe uma diferença de nível entre vocês e as pessoas dessa loja.
— Está dizendo que a gente é inferior?
Respondi "sim", com um sorriso radiante.
— Se vocês tiveram sucesso graças à capacidade de acolher e se adaptar a uma cultura diferente, isso é admirável. Assim como vocês, muita gente tem medo ou desprezo por coisas novas. Aceitar uma cultura diferente e transformar isso em negócio é algo maravilhoso. Logo, logo, vai ser a vez de vocês serem motivo de riso.
Disse isso com toda a calma, e o dono da loja me olhou fixamente e murmurou: "senhorita cliente".
Vir até essa loja de propósito só pra soltar insultos é praticamente a mesma coisa que gritar em voz alta: "somos uns idiotas".
O casal, ainda com repulsa evidente em relação a mim, ficou completamente calado.
Que sem graça. Seria bem mais divertido se eles continuassem revidando…
— Que decepção, não teve nem graça a briga.
Murmurei isso, e o Jill soltou um pequeno suspiro.
— Que pena pra eles. No momento em que decidiram desafiar a Alicia, já estava tudo decidido, a derrota deles.
Ao mesmo tempo, a porta tocou de novo: tilintou, tilintou.
— Seu filho idiota! Onde você estava perdendo tempo!? Sempre fazendo coisas por conta própria!
Uma voz alta ecoou dentro da loja. Entrou um homem elegante, de porte robusto, vestindo um terno branco impecável.
Apesar de todo o estilo, o rosto dele estava completamente tomado de raiva.
…Se ele está chamando aquele rapaz de "filho", será que esse homem é o presidente da companhia comercial Ojes?
Tinha aquele tipo de presença que combina perfeitamente com a palavra "imponente". …Mesmo assim, deve ser difícil pra ele ter um filho desse jeito.
Atrás dele, havia vários homens que pareciam ser seguranças.
Se acontecesse algo, aposto que o próprio presidente seria muito mais forte do que qualquer um daqueles seguranças atrás dele.
No instante em que o presidente entrou, o rosto do rapaz perdeu toda a cor. Completamente pálido, ele murmurou baixinho: "pai".
O rapaz me lançou um olhar cortante.
— Eu vou fazer com que você nunca mais possa comprar nada na minha companhia!
Aquele olhar dizia claramente que ele achava que a culpa era toda minha. Queria que ele colhesse o que plantou com as próprias mãos.
Sem mudar de expressão nenhuma, respondi apenas "ah, é mesmo?". Só de conversar com aquele homem, meus ombros já ficam tensos.
Não vou ficar nem um pouco incomodada se não puder mais usar a companhia comercial Ojes. Quem vai ficar incomodado é mais…
— A senhorita é da família Williams, não é?
O presidente me encarou fixamente, arregalando os olhos.
Os seguranças atrás dele também pareciam ter percebido quem eu era.
Os pais são competentes, viu, comentei ironicamente sobre o rapaz, só dentro da minha cabeça.
— Ei, pai! Essa aí—
O presidente ignorou o filho, que se agarrava a ele, implorando. Pelo contrário, ele lançou pro rapaz um olhar que mais parecia o de alguém encarando um inseto.
…Esses dois são mesmo pai e filho?
— Aqueles olhos dourados tão brilhantes, os cabelos negros tão sedosos, essa beleza…
— Desculpe a demora em me apresentar. Sou Alicia Williams.
Disse isso, direcionando ao presidente um sorriso radiante e cintilante.