Capítulo 473
— Hã? Quem é você?
O homem, irritado, virou o olhar na minha direção.
Por mais dinheiro que você tenha, com esse jeito de falar, ninguém vai querer nada com você.
Pensando isso, o encarei com desdém. Ele deve ter percebido meu olhar, porque franziu ainda mais o rosto.
— Você sabe com quem está falando? Meu pai é o presidente da companhia comercial Ojes.
Pelo visto, minha atitude não agradou nada a ele, então ele mesmo se apresentou primeiro.
…Companhia comercial Ojes. Acho que não é uma empresa tão grande assim, mas já ouvi falar.
Acho que até minha própria família já comprou algumas joias dessa companhia comercial.
Eu nunca tive nenhum interesse em joias ou acessórios, mas pelo menos isso eu sei.
Preciso avisar meus pais pra nunca mais fazerem compras aqui.
…E, além disso, é o poder do seu pai que é grande, você mesmo não tem valor nenhum, não é?
— Qual é o seu valor?
Encarei-o com desprezo. Estava aplicando bastante pressão. …Vilã serve exatamente pra esse tipo de situação.
Ao ver ele hesitar um pouco, senti repulsa por um homem que só consegue se armar de arrogância diante dos mais fracos.
— Você… não conhece a companhia comercial Ojes? Eu sou o próprio…
— Ninguém te ensinou etiqueta também, pelo visto. Ignorância dessas dá vergonha alheia. …Não em você, mas no seu pai.
Cortei a fala dele.
Só de ele me chamar de "você" naquele tom, já me dá arrepios de nojo.
Esse mocinho devia perceber, logo, que ele mesmo está manchando o nome da companhia comercial Ojes.
— Pra mim, você vale menos até do que aquele lenço que você pisoteou.
Fazia tempo que eu não usava uma voz tão fria assim.
Devia estar mais irritada com ele do que percebi, inconscientemente.
— Fiquei quieto ouvindo, mas já chega. Está zombando de mim! …Não existe jeito de eu valer menos do que um pano qualquer!
Já estou até com pena desse homem.
Se ele fosse uma criança, ainda haveria espaço pra melhorar… mas, chegando a esse ponto, já não tem mais salvação.
— Eu que achei bonito. Não sinto o menor charme em você, mas sinto muito charme neste lenço.
— …Que mulher nojenta.
Ele disse isso, torcendo o rosto.
Ah, mas que elogio maravilhoso! Vilã que se preza precisa mesmo é ser insultada!
Afinal, é um mundo centrado em mim mesma. Se eu acho algo bonito, então aquilo é bom. E o contrário também vale.
— O desenho do reino de Coil me dá até vontade de vomitar!
A mulher ao lado dele abriu a boca pra dizer isso.
O reino de Dulkis e o reino de Coil nem têm uma relação assim tão ruim entre si. Só que o reino de Coil está sob domínio do reino de Lavarre.
Será que precisa de tanto ódio assim…?
— Vocês realmente não têm nenhum bom senso estético.
Quase caí na risada, sem querer.
Aquela minha reação deve ter irritado os dois, porque eles me lançaram um olhar de puro ódio.