Capítulo 505
— Não rejeitar, é?
— Aceitar valores e problemas de todo tipo é uma coisa difícil de fazer. Mas isso não significa que precisamos rejeitá-los. Pra mim, gentileza é algo que não se vê, algo que ninguém percebe, algo que apenas preenche pequenas fissuras que passam despercebidas.
Do lado de fora, minhas atitudes talvez pareçam que eu não aceito a Liz-san. Mas, na verdade, eu nunca rejeitei o modo de pensar dela.
É justamente por causa da realidade que o ideal consegue brilhar. E o contrário também é verdade.
Nunca achei que a forma de pensar da Liz-san estivesse errada. Só que ela nunca combinou comigo.
Já é bom o suficiente ter uma opinião própria. Não me desagrada quem consegue enxergar as coisas de forma subjetiva, mesmo levando em conta os valores sociais predominantes.
Eu reconheço plenamente que existe uma justiça diferente pra cada pessoa que existe no mundo.
Se a justiça e o poder desaparecessem deste mundo, provavelmente os conflitos também desapareceriam. …Mas eu não quero viver num mundo tão sem graça assim.
— Existem muitas pessoas por aí que não fazem ideia de que isso é a maior forma de tolerância que existe.
— …Mas, se você se ferir nos meus espinhos, vai doer bastante, sabia?
Sorri, com toda a pose de vilã.
Não quero que o senhor Gordon consiga enxergar tudo dentro de mim. Já basta o tio Will conhecer meu interior por completo.
Diante das minhas palavras, o senhor Gordon abriu um sorriso suave. Já não sentia mais nenhuma daquela pressão de antes.
Toda aquela intimidação já tinha desaparecido por completo, e a atmosfera voltou a ser a mesma de quando ele me recebeu.
— Os espinhos, apesar de parecerem apontados pro outro, na verdade sempre acabam se voltando pra dentro, pra si mesmo. Tome cuidado.
Diante daquela tranquilidade que só um presidente de uma companhia comercial como ele conseguiria demonstrar, quase senti vontade de curvar a cabeça diante dele.
Acho que ele tem um tipo de gentileza parecida com a minha.
— E então, como fui, no seu teste?
— …Superou minhas expectativas.
Aquelas palavras que saíram da boca do senhor Gordon soaram sinceras.
Isso é o maior elogio possível, não é?
Ele continuou a conversa, me observando com um olhar de interesse genuíno.
— Com o poder mágico imenso que a senhorita Alicia possui, seria fácil demais nos dominar pela força. Mas a senhorita escolheu me tratar em pé de igualdade. …Achei mesmo que fosse retaliar com magia quando eu apliquei aquela pressão.
Diante daquelas palavras ditas com um sorriso, pensei sem querer: "ah, essa era uma opção que eu não tinha considerado".
Mas, se eu tivesse revidado com magia, com certeza a negociação teria fracassado ali mesmo.
Eu não sou tão tola a ponto de não conseguir enxergar até esse ponto.
— Não faz sentido dominar o adversário pela força.
— Gostaria que as pessoas comuns que odeiam a senhorita ouvissem essas palavras.
— Ah, mas isso arruinaria todo o esforço que dediquei a construir minha própria imagem, apostando a vida inteira nisso.
Disse isso rindo, e o senhor Gordon piscou os olhos por um instante, e logo em seguida relaxou o rosto com uma risada, "haha".