Capítulo 506
— Gil, se você tiver alguma pergunta, também pode fazer. Uma oportunidade dessas é rara.
O senhor Gordon voltou o olhar pro Gilbert.
Voltei o olhar pra ele, que até agora estava só ouvindo nossa conversa em silêncio. Continuava com a mesma cara de poucos amigos.
Mais do que um olhar direcionado especialmente a mim, uma mulher tão odiada, parece que ele lança esse mesmo olhar pra qualquer um.
Bem, eu, já acostumada a receber esse tipo de olhar, não me incomodo em nada. Mas ele devia tomar cuidado de não lançar esse olhar em qualquer garota comum por aí. Elas iam acabar chorando.
— …Antes disso, posso ser eu a fazer uma pergunta?
O senhor Gordon abriu um sorriso diante das minhas palavras. Aquela expressão claramente dizia "pode perguntar o que quiser".
Claro, não vou perguntar sobre a Julie-sama agora.
Se eu perguntasse agora, toda a negociação que construí até aqui iria por água abaixo. Mas, ao mesmo tempo, também não posso fazer nenhuma pergunta boba.
Se eu não fizer uma pergunta na medida certa, o senhor Gordon nunca vai desenvolver um interesse verdadeiro por mim.
Ele ainda me vê como uma garota interessante só na superfície.
Sendo sincera, eu não tinha pensado em nenhuma pergunta ainda. Só senti que precisava agir antes que o Gilbert fizesse alguma pergunta pra mim primeiro.
Ah, francamente!! Talvez eu tenha agido demais por instinto. Mas já não dá mais pra voltar atrás.
Alicia, mexa esse cérebro pequeno com todas as forças. Comecei a pensar em toda e qualquer pergunta possível dentro da minha cabeça.
— Uma vida sem sentir vergonha nenhuma é uma vida bonita?
Que pergunta banal, francamente. Tinha coisa muito melhor pra eu perguntar!
Sinceramente, acho que isso é motivo de vergonha, agora mesmo.
Ninguém devia imaginar que eu faria uma pergunta assim, porque até o Jill demonstrou uma expressão de surpresa.
Eu mesma nunca imaginei que uma frase assim fosse sair da minha boca. Mesmo assim, não acho que seja uma pergunta ruim.
— Mesmo sem profundidade, acho que isso pode ser bonito, sim.
……………A mesma resposta que eu daria.
Nem precisa ouvir mais nada dele; já consigo entender o pensamento dele.
Não sentir vergonha não é algo ruim. Mas dizer se isso leva a um crescimento notável, isso já é outra história.
Quem carrega dentro de si um potencial de crescimento maior são justamente as pessoas que sentem vergonha.
— Do que o senhor sente vergonha?
— Do conhecimento.
Foi uma resposta imediata. Ele acrescentou:
— A busca pelo conhecimento não tem limites. Eu sempre almejo mais conhecimento.
— Eu também vivo todo dia entre a esperança e o desespero em relação ao conhecimento.
Se eu tivesse a mesma idade do senhor Gordon, sinto que a gente teria virado bons amigos.
— A senhorita é radiante, sabia, Alicia-sama.
— Radiante…?
— Não importa quanto dinheiro eu consiga acumular, o único bem que jamais poderei comprar é a juventude. Se eu pudesse gastar toda a minha fortuna pra recuperar meus dezenove ou vinte anos de novo, eu abriria mão de todo meu patrimônio sem hesitação nenhuma.
— …Eu me aproveito bastante da minha juventude.
Diante da minha resposta, o senhor Gordon soltou uma gargalhada.
— A senhorita é uma pessoa curiosa. Achei que era uma mulher forte e inteligente, mas também tem esse lado de menina. …Mesmo assim, é tão odiada em geral. Já lidei com muita gente diferente, não só nobres, mas nunca encontrei alguém como a senhorita Alicia antes.
— Isso é uma honra.
Levantei levemente o canto da boca e, dentro da cabeça, fiz um gesto de vitória.
Isso significa que ele se interessou pela minha essência de verdade, não é!?