Capítulo 529
Sem dizer nada, fiquei em pé ali, imóvel.
Como alguém que também admira profundamente o tio Will, senti vontade de abraçar a Julie-sama. …Mas, bem, tecnicamente, eu sou uma criminosa de grande porte.
Nunca daria pra chamar a Julie-sama de "boa pessoa". A intenção dela de me prejudicar também deve ter sido sincera.
Ela definitivamente não é do tipo que demonstra piedade fácil por outras pessoas. É a pessoa que ocupa a posição exatamente oposta à da Liz-san.
…Mas, mesmo assim, tudo o que eu conseguia sentir naquele quarto era só gentileza.
— Realmente, tanto eu quanto o Will, todos nós tivemos destinos irônicos, não é mesmo?
— Se não dá pra lutar contra o destino, só resta amá-lo. Por isso, não há tempo pra lamentar. …A Julie-sama também pensa assim, não pensa?
Ela ficou em silêncio por um instante e então abriu a boca.
— Eu não lamento, mas sou uma mulher que odiou o próprio destino.
— Eu invejo bem mais o seu jeito de viver.
— Meu jeito de viver?
Eu mesma não sei bem como minha própria forma de viver aparece pra quem me observa de fora. Mesmo tentando ser objetiva sobre mim mesma, inevitavelmente minha própria subjetividade sempre acaba entrando no meio.
Por isso, não entendo com clareza como eu realmente pareço aos olhos da Julie-sama.
— Você é como uma leoa.
— Uma leoa…?
— Não uma princesa parada dentro de um castelo. É uma leoa correndo livre pelas terras selvagens. ……………Mas, ao mesmo tempo, carrega a gentileza de proteger uma pequena flor.
Confirmei, com força total, que eu nunca conseguiria odiar a Julie-sama.
Mesmo que ela me odeie, ela ainda assim me reconhece de verdade. Isso, mais do que qualquer coisa, me deixou feliz.
Observando as costas dela, fiz uma reverência cuidadosa.
— ……………E então, você já sabe o que queria saber?
Diante daquelas palavras, ergui o rosto.
Como a principal culpada por ter arquitetado um plano de explosão do palácio real, vou ser punida agora.
— Sim, muito. …Aceitarei qualquer punição.
— …Você realmente causou um incidente absurdo. …E, além disso, fico impressionada com o poder mágico capaz de resolver tudo isso num instante só. …É um verdadeiro feito de vilã.
Não consegui evitar fazer um gesto de vitória dentro do meu coração.
Consegui!! Ouviu isso? Vilã, ela disse!
Finalmente virei uma vilã oficialmente reconhecida pelo próprio reino. …Sério, tenho talento demais pra ser vilã, hein.
— Por enquanto, vou te deixar trancada numa cela por uma noite. Já que você causou um alvoroço desses, ao menos sofra um pouco.
— Com muito prazer.
Disse isso com um sorriso, sem demonstrar nenhuma repulsa.
Ficar presa numa cela não é sofrimento nenhum pra mim. Quando fui exilada pra o reino de Lavarre pela primeira vez, também fiquei presa numa cela.
— Levem-na.
Ela disse isso, ainda de costas pra mim, dirigindo-se ao guarda que estava um pouco atrás de mim.
Os guardas responderam "— — ‘sim, senhora’ — —" e voltaram a segurar meus braços.
Eu já não ia fugir pra lugar nenhum…
Mas, sem esse tipo de gesto, a disciplina fica bagunçada. Não tem jeito, vou deixar que me segurem mesmo. Já que é assim, decidi sair do quarto fazendo a expressão mais maligna possível, como se estivesse participando de um concurso de "cara de vilão".
Fui levada pra fora do quarto assim. A Julie-sama continuou observando fixamente o vilarejo de Roana.
No exato momento em que saí do quarto, virei só o rosto na direção dela. Ela nunca chegaria a olhar pra mim de volta. Senti que as costas dela contavam tudo por si só.
— Que a solidão que sempre esteve ao seu lado seja, ao menos, calorosa.
Murmurei isso por último, e deixei o quarto.
Não sei como a Julie-sama recebeu essas minhas palavras. Não consegui ver a expressão dela, e ela também não me respondeu nada.
Tudo bem se ela continuar me achando uma garotinha tola. Afinal, eu consegui, sim, me encontrar cara a cara com a Julie-sama…
Muito bem!! Agora vou aproveitar um pouco da minha vida na prisão!