Capítulo 537
— …O que foi?
— Você sabe que eu sou uma pessoa egoísta, não sabe? …E também deve se lembrar que eu já disse que ia "usar" você, não?
O Jill murmurou, contrariado: "isso eu sei".
— Pense com sua própria cabeça o motivo pelo qual eu não te usei desta vez.
— ………….Porque eu não tenho força suficiente.
— Você tem uma autoestima bem baixa, hein, Jill?
— Só na frente da Alicia.
— É porque eu não posso perder você tão facilmente.
Disse isso encarando o Jill diretamente. Não quero fazer a besteira de te levar pra um lugar onde você não seria útil, e ainda por cima te aproximar do perigo de propósito.
Foi justamente por isso que decidi não contar nada de antemão.
— Se eu tivesse contado o plano, você não teria dormido nada ontem à noite, não é?
Diante das minhas palavras, o Jill ficou calado.
…Mas, bem, considerando o tamanho do plano de "explosão do palácio real", ele tem todo o direito de querer ter sido avisado. Fui até lá com um clima meio de "vou só caçar um coelhinho ali", mas foi um incidente de proporções bem sérias.
— …Como se sente, agora que deixou de ser nobre?
— Me sinto ótima.
Diante da pergunta do Jill, abri um sorriso radiante.
Normalmente, talvez eu devesse estar mergulhada num sentimento mais dramático de perda, mas não sinto nem um pouco de tristeza.
— Você deve estar cansada, durma bem essa noite.
A Okaa-sama me disse isso com uma voz gentil. Só isso.
À primeira vista, pode parecer frio, mas eu conheço bem minha mãe. Isso é o jeito dela de demonstrar amor.
Depois de todo esse alvoroço que causei, ela não me culpou nem um pouco — só me disse pra descansar.
— Muito obrigada.
Fiz uma leve reverência pra minha mãe.
— Sim, descanse. Amanhã a gente conversa de novo.
— Amanhã eu já não vou estar mais nesta casa.
Diante das minhas palavras, o Otou-sama respirou fundo e fechou os olhos. Parece que ele ainda não consegue aceitar a realidade como realidade.
Se eu o deixasse assim, sozinho, ele parecia até que ia subir direto pro céu…
— Arnold, se recomponha. Nunca vi uma mulher tão forte quanto a Alicia. Mesmo sem o nome desta casa, ela vai conseguir viver muito bem.
— É, é verdade, Leila.
— Nosso trabalho é garantir que nossos filhos sempre possam voltar pra esta casa, sempre que quiserem.
Dizendo isso, a Okaa-sama deixou o lugar.
"Ah", concordou meu pai, e seguiu logo atrás dela, saindo também.
Que bom equilíbrio de casal, pensei observando os dois. …Ou melhor, será que minha mãe é forte demais?
Mais do que uma dama recatada e serena, ela é uma bela mulher inteligente e fria.
— Que família tão boa a nossa, hein.
Abri um sorriso, sentindo isso de verdade, do fundo do coração.
Que bom ter nascido na família Williams. Aconteceram muitas coisas, mas foi graças a essa família que eu me tornei quem sou hoje.
Mesmo que eu já não possa mais usar o nome Williams, fui extremamente feliz por ter podido viver dezesseis anos sob essa casa.
Desde que descobri que reencarnei numa vilã de otome game, sinto que aproveitei muito bem todo esse tempo até agora.
Se algum dia, no futuro, eu voltar a poder usar o nome "Williams" novamente, vou abraçar esse nome com mais carinho do que qualquer outra pessoa no mundo.