Capítulo 538
Vou pro reino de Lavarre!
Essa é minha próxima ação. Da primeira vez, foi um exílio… Pensei que, na segunda vez, seria recebida no reino de Lavarre como a filha mais velha da família Williams, uma das cinco grandes famílias do reino de Dulkis, mas acabei perdendo minha posição de repente!
Os planos vão mudando! É justamente isso que dá graça aos imprevistos!
Fiquei fazendo pose de vitória no meu quarto, olhando pela janela.
……………O Henry-oniisama.
Vi a figura dele treinando esgrima no jardim da mansão. Me disseram pra ficar descansando no quarto, mas…
Talvez não sobre muito mais tempo pra conversar com o Henry-oniisama.
Se eu sair do quarto agora, já consigo imaginar a Roze gritando: "senhorita~! Descanse direito, por favor!".
Magia de teletransporte…? Não, mas sinto que estou mais cansada do que imagino.
Só resta uma opção física: pular pela janela.
Pular do segundo andar não deveria ser grande coisa pra mim, mas, como nobre, isso não seria muito adequado… Bem, mas já não sou mais nobre, então vou fazer do meu jeito.
Coloquei os pés na borda da janela e, gritando "Henry-oniisama!", pulei.
— Eh!? Alicia!?
No exato momento em que ele me viu, eu já tinha aterrissado no chão. Antes de pousar, já tinha lançado em mim mesma uma magia que evitava qualquer sobrecarga nos pés. Consome muito menos poder mágico do que a magia de teletransporte, então não afeta nem meu poder mágico nem minha resistência física.
Com o impacto do meu pouso, as plantas ao redor balançaram, tremendo levemente.
Nunca esperando que a irmã caísse do céu, o Henry-oniisama ficou com a espada numa mão, boca aberta, encarando-me completamente pasmo.
Ele continuava confuso diante do meu jeito tão selvagem de aparecer.
— Eh!?
Ele soltou outro grito alto.
Sem conseguir entender bem a situação ainda, sorri com toda a calma e puxei conversa com ele:
— Bom trabalho. É raro ver o Henry-oniisama treinando esgrima.
— Ah, sim. Achei que devia me exercitar um pouco.
Mesmo confuso, ele enxugou o suor e continuou a conversa comigo. Vim aqui puxada pelo impulso, mas não tinha nada em especial pra dizer.
Só queria trocar algumas palavras com ele, já que provavelmente é a última vez que vou passar tempo na mansão dos Williams…
É raro, mas nenhuma palavra me vinha à cabeça. Alicia, já que você veio correndo até aqui por conta própria, propõe um assunto, não é?
Enquanto eu me repreendia mentalmente, o Henry-oniisama continuou a conversa.
— Dizem que cada um tem seu próprio inferno… Qual é o seu inferno, Alicia?
— Meu inferno?
— A garota mais odiada da academia, criminosa exilada do país, uma despedida eterna do seu mentor, agora destituída de título… Não conheço mais ninguém vivendo uma vida como a sua.
— Se existisse mais alguém assim, aí sim seria um problema.
Diante da minha resposta, o Henry-oniisama riu de leve: "isso é verdade".
— A Alicia é uma garota que não tem nada a ver com desespero.
— Não é bem assim.
Corrigi as palavras dele com calma. E então, olhando distraidamente pra longe, acrescentei mais algumas palavras.
— Quando eu desistir da "vilã que quero me tornar"…
Nesse exato instante, vi uma pequena borboleta voando em direção ao céu limpo e sem nuvens.
Uma borboleta nunca poderia voar tão alto quanto um pássaro. Achei muito bonita a imagem daquela borboleta, batendo as asas em direção a um céu completamente sem nuvens.
Observando a borboleta, murmurei com uma voz firme e clara:
— Nesse momento, vou entrar em desespero em relação à minha própria vontade.