Capítulo 541 – Dezenove Anos, Segundo Filho da Família Williams, Henry
Fiquei olhando pra aquela caneta-tinteiro que a Alicia me deu.
Deitado no jardim, ergui a caneta em direção ao céu. Antes de ir embora, a Alicia disse que confiava a mim a própria história dela.
Nunca conheci uma mulher tão digna e bonita quanto ela.
Se ela não fosse minha irmã, com certeza eu teria me apaixonado por ela. Ela é atraente a esse ponto.
Penso sinceramente que ela não poderia ser entregue a mais ninguém além do Duke. Nenhum homem comum por aí seria capaz de lidar com a Alicia.
Ela sempre foi vista como uma mulher de língua afiada e detestável, mas as pessoas ao redor estão começando a perceber que não é bem assim. Isso me deixa feliz, mas ao mesmo tempo, um pouco frustrado.
……………Ela já não é mais membro da família Williams.
Ela me contou uma notícia tão grande assim com toda a tranquilidade. Quando ouvi que ela ia elaborar um plano de explosão do palácio real, sinceramente, não fazia ideia do que se passava na cabeça dela.
Gosto dessa forma de pensar tão incompreensível da Alicia. E, além disso, tenho total confiança nela.
Talvez seja por isso que, não importa o quão insano seja o plano, sempre acabo topando embarcar nele junto… Mas nunca imaginei que ela fosse voltar tendo perdido o título nobiliárquico.
E, no fundo, em algum lugar da minha cabeça, eu também achava que o Duke fosse ajudá-la.
A Alicia não pareceu abalada nem um pouco, mas eu fiquei bem abalado. É praticamente impossível imaginar uma mulher tão nobre quanto a Alicia perdendo o próprio status de nobreza.
— Mas, bem, talvez, graças a isso, ela tenha conseguido gravar mais um capítulo da própria história como vilã.
— A vilã voltou pro quarto com um sorriso bem satisfeito no rosto.
Sem que eu percebesse, o Jill entrou no meu campo de visão.
Ele se inclinou sobre mim, deitado ali, e começou a falar. Surpreso, chamei o nome dele: "Jill".
O garoto que a Alicia trouxe de repente pra casa. Hoje já é praticamente como um irmão mais novo pra mim, mas, no começo, foi difícil saber como lidar com ele. Foi por isso que eu ensinei a ele a usar uma "máscara" social.
— Posso deitar também?
— Ah, claro.
Assim que respondi, o Jill se deitou ao meu lado. Dois homens deitados olhando pro céu juntos — não é uma sensação ruim, não.
— Que desperdício, eu ter o mesmo status que você agora.
— O problema é que a pessoa em questão não acha isso um desperdício nem um pouco, então acho que tudo bem, não?
Eu concordava completamente com o Jill, mas respondi assim, pensando na Alicia.
— Cruzei com a Alicia agora há pouco e perguntei se estava mesmo tudo bem, ela deixando de ser nobre desse jeito.
— É que, neste mundo, ser nobre é considerado algo "importante", né.
O Jill ouviu minhas palavras e, depois de um instante, abriu a boca: "a Alicia disse assim".
— "Sim, claro. Se você tem um título, é bom se apegar a ele. Se afinal alguém com posição social age de forma irresponsável, isso é um problema pro mundo inteiro. Mas, se o título desaparece, também não precisa mais se apegar a ele."
Só posso dizer: isso é muito a cara da Alicia. Esse é o maior elogio que existe.
O Jill falou aquilo como se estivesse saboreando cada palavra que a Alicia lhe deu.
— O coração não tem posição social nenhuma, ela disse.
Fiquei paralisado diante daquelas palavras. Tenho certeza de que ela ainda vai me surpreender inúmeras vezes daqui pra frente.
Não consegui evitar um sorriso escapar. Percebi que o Jill olhava rapidamente na minha direção, ouvindo minha risada.
Minha querida e amada irmã, que você tenha muita felicidade, do fundo do coração.