Capítulo 542 – Doze Anos, Jill
— Alicia?
Bati de leve na porta do quarto da Alicia: toc, toc.
Ontem, depois de entregar a caneta-tinteiro pro Henry, a Alicia ficou trancada no quarto o dia inteiro. Com certeza, ela já deve ter descansado o suficiente.
……………Embora seja difícil imaginar a Alicia dormindo o tempo todo.
Passou um tempo e não veio nenhuma resposta.
Uma pequena ansiedade começou a crescer dentro de mim. Será que ela foi embora de novo, me deixando pra trás?
— Alicia?
Chamei o nome dela mais uma vez.
…Ué? A Alicia está no quarto, não está?
Continuei batendo na porta e gritei mais alto: "Alicia!?"
Mesmo assim, nenhuma resposta veio, e também não parecia haver nenhum sinal de presença dentro do quarto. …Será que ela realmente foi embora pra algum lugar?
Tomado pelo medo, abri a porta com força.
— Não está aqui…
Encarando o quarto completamente vazio, fiquei atordoado.
Isso não pode ser verdade, de jeito nenhum. Não tem como a Alicia me deixar pra trás. Mas não consigo pensar em nenhuma outra explicação além dela ter saído por conta própria.
Minha cabeça começou a girar em confusão.
— O que eu faço…
Não entendo o que está acontecendo.
Eu sei que a Alicia é livre. Ela age de forma imprevisível, seguindo os próprios impulsos sem se prender a nada.
Mas nunca imaginei que ela fosse desaparecer de repente da minha frente, assim, sem mais nem menos.
— Jill? O que foi? Você está parado aí, meio perdido.
O Albert se aproximou de mim, parado diante da porta do quarto da Alicia. O som dos passos dele ecoava, cada vez mais alto, pelo corredor: toc, toc.
Nenhuma palavra saía de mim. Fiquei só encarando aquele quarto tão bem arrumado, mas completamente vazio.
— …Jill?
O Albert se aproximou, se inclinando pra olhar meu rosto de perto. Ao mesmo tempo, consegui, com esforço, abrir a boca.
— A Alicia desapareceu.
Não queria ter dito isso em voz alta. Sentia que, se eu colocasse aquilo em palavras, aquilo se tornaria realidade de verdade…
— O quê?
O Albert também arregalou os olhos e voltou o olhar pro quarto da Alicia.
— …Será que ela já saiu de ca—
— Não tem como. Ela nunca me deixaria pra trás.
— Alicia?
O Albert entrou no quarto.
Por mais que procurássemos, a Alicia não estava ali.
— Realmente, não há nada aqui. Nem sequer um bilhete…
As palavras dele apertaram ainda mais meu peito.
Havia uma parte de mim que ainda tinha esperança de encontrar algum bilhete deixado por ela.
— Talvez ela esteja no jardim, treinando esgrima.
O Albert disse isso e olhou pra fora da janela do quarto, mas, pela reação dele, dava pra entender na hora. A Alicia não estava lá.
Não consigo sentir a presença da Alicia em nenhum canto desta mansão. Se ela estivesse treinando esgrima, com certeza eu já teria percebido, antes mesmo de chegar a este quarto.
— O que está acontecendo, afinal…
Ouvindo o murmúrio do Albert, senti tudo escurecer diante dos meus olhos.
Até agora, sempre conseguia imaginar, com alguma precisão, onde e o que ela estava fazendo. Mas agora não faço a menor ideia de nada.
Nunca imaginei que isso fosse ser tão assustador assim…
Não só o vovô — será que a Alicia também vai desaparecer da minha vida?