Capítulo 55
— Minha cor favorita é preto.
— Ah, você gosta de preto! Eu gosto mais de branco.
— Somos exatamente opostas, então.
Ao dizer isso sorrindo, Liz-san também retribuiu com um sorriso. O significado desse sorriso também era exatamente oposto.
— Não é bom justamente por sermos opostas?
— Éé, verdade.
Sinceramente, conversar foi ficando cada vez mais cansativo. Não tem como a gente se conhecer de verdade com esse tipo de conversa.
— O que você gosta de fazer?
Ainda vai perguntar mais? E, além disso, a pergunta é abstrata demais. A Liz-san realmente não consegue ler minha expressão de jeito nenhum. É por isso que eu não me dou bem com heroínas insensíveis assim!
— Isto aqui.
Estalei os dedos.
Então, uma flor do buquê que estava num vaso no canto da sala veio flutuando na minha direção. Era a magia de atrair objetos. Peguei a flor que vinha voando com perfeição e entreguei pra Liz-san.
— Aqui está.
Não só a Liz-san, todo mundo estava me encarando fixamente.
Será que ficaram surpresos com uma atitude tão galante da minha parte?
— Magia…?
— Sim.
Se ela não pegar logo a flor, vou ficar com vergonha.
— A Ali-chan é…
— Dez anos… né.
— É mesmo.
Ouvi a conversa entre Curtis-sama e Albert-nii-sama. O vovô Will também me perguntou sobre minha idade quando eu usei magia. Será que eu sou superior a uma criança normal?
— Obrigada.
Finalmente, Liz-san pegou a flor da minha mão.
— Que margarida linda.
Liz-san me deu um sorriso capaz de fazer até um anjo ficar com vergonha.
Por favor, não me dê um sorriso divino desses, do tipo que derrota vilões. Nem um pouco feliz com o fato da minha simpatia por você estar aumentando. Eu dei aquela flor com intenção de ironia, sabia?
Ser insensível, de certa forma, é uma bênção.
Depois que todo mundo foi embora, fui em direção à biblioteca.
No fim, hoje também não decidimos nada. Só acabou sendo eu e a Liz-san conversando.
Antes de chegar na biblioteca, vi Albert-nii-sama e Otou-sama conversando em pé. Rostos muito sérios. Será que estão falando de algo tão difícil assim?
Me aproximei escondida, sem ser percebida.
— A Alicia usou magia? Isso é verdade mesmo?
— Sim. Eu vi com meus próprios olhos.
— Mas a Alicia ainda tem dez anos…
O que tem os dez anos? Por que todo mundo fica surpreso ao ouvir minha idade?
— Isso nunca tinha acontecido antes. Não acredito.
— Eu também fiquei surpreso. Afinal, só é possível usar magia a partir dos treze anos.
A partir dos treze? Eu tenho dez.
Hã, os números não estão meio estranhos…?
— Uma anomalia.
Otou-sama murmurou isso com uma voz grave e pesada.
Eu sou a anomalia? A anomalia deveria ser a heroína. E, além disso, é estranho que só se possa usar magia a partir dos treze anos. Deve ser algum engano.
Sem conseguir processar direito o que tinha acabado de ouvir, corri em direção à biblioteca.
Sei que uma vilã não deveria ficar tão perturbada assim, mas agora não tenho tempo pra pensar nisso.