Capítulo 555
Fiquei sem palavras.
Como se estivesse dando uma mãozinha pra mim, que estava em apuros, ela acrescentou:
— Talvez não seja importante se existe amor ou não. Só que eu, mesmo agora, sinto profundamente que continuo sendo uma pessoa daquele vilarejo.
Desde que saiu do vilarejo, a Rebecca vem se esforçando pra se adaptar a este lugar.
Dá pra perceber isso pelas ações dela, mas não sei se isso é realmente "bom" pra ela.
Talvez, pra sobreviver, a Rebecca simplesmente precisasse fazer isso — talvez ela nem ame de verdade este mundo cheio de sol.
— Se aquele vilarejo virar uma área militar e servir pra alguma coisa útil na vida da Alicia, talvez eu consiga amá-lo.
Diante das minhas palavras, a Rebecca arregalou os olhos. Alguns segundos depois, ela riu: "fufu".
— Que amor tão sincero e bonito.
Fiquei feliz com aquelas palavras dela.
Que bom saber que, mesmo aos olhos de outra pessoa, meu sentimento pela Alicia não carrega nenhuma sujeira.
— O que você acha que eu sou, pra aquele vilarejo?
— ………….A salvadora.
Me lembrei da missão que a Alicia deu à Rebecca há muito tempo.
Em troca de ter salvo a vida da Rebecca, a Alicia disse que ela deveria se tornar a salvadora do vilarejo da pobreza.
— Isso mesmo. Por isso, meu papel é salvar também os moradores do vilarejo.
Fiquei paralisado diante daquelas palavras dela.
Desde o dia em que perdeu a perna, a Rebecca abraçou de verdade as palavras da Alicia, ciente delas por completo.
Mais do que qualquer outra pessoa, ela se dedicou pelo vilarejo, tentando construir um ambiente melhor pra viver, e correspondeu às expectativas da Alicia.
…A Rebecca é uma garota inteligente e cheia de iniciativa. Isso nunca mudou, nem antes nem agora.
— Como você me salvaria?
No exato instante em que ela disse isso, a Rebecca segurou meu rosto com as duas mãos.
Ela me encarava fixamente, olhos nos olhos. Foi nesse momento.
Os olhos dela foram mudando, aos poucos, pra uma cor dourada.
………………………….Os olhos da Alicia?
Prendi a respiração, incapaz de desviar o olhar dos olhos dela.
— Jill.
A voz que saiu da boca da Rebecca era da Alicia. Não fazia ideia do que estava acontecendo.
— Vá pro reino de Lavarre e encontre dois garotos. Os nomes deles são Leon e Rio. Ex-assassinos do reino de Melvin. O Rio estava com a doença das manchas, mas, como eu já colhi a Madi, deve estar bem.
— Como assim… o que está…
Sem se importar com minha surpresa, a Rebecca continuou falando.
— Quero que você confirme a segurança dos dois. E, além disso, quero que você mesmo negocie diretamente com o reino de Lavarre. Use o remédio contra a doença das manchas como sua ferramenta diplomática, agindo como representante do reino de Dulkis. Eu, sem título nenhum, já não sirvo pra nada nesse papel. Tenho certeza de que o Duke-sama vai te ajudar. Essa é a chance de você mudar este mundo, dominado por quem tem poder mágico. Você vai ser a primeira pessoa a fazer isso.
— Isso é… eu não tenho…
Como se já esperasse minha ansiedade, a voz serena e reconfortante da Alicia ecoou nos meus ouvidos, saindo da boca da Rebecca: "tudo bem".
— Você tem, sim, força o suficiente pra isso, Jill. Eu sempre acreditei em você. Lembra que eu disse que assumiria a responsabilidade por ter salvado sua vida naquele dia? Que eu te faria alçar voo pelo mundo? Agora é a hora. O fato de eu acreditar em você é justamente a sua própria confiança, não é? Então, acredite em si mesmo também.
Assim que a Alicia terminou de falar, a expressão da Rebecca mudou de repente. A cor dos olhos dela também voltou ao normal, e ela voltou a ser a Rebecca de sempre.
Ela tirou as mãos do meu rosto, devagar.
Será que a Alicia possuiu o corpo da Rebecca…? …Não, mas, se fosse isso, eu deveria conseguir conversar diretamente com a Alicia.
Como se tivesse percebido minha confusão, a Rebecca abriu a boca. Era, sem dúvida, a voz da própria Rebecca.
— Esse foi o motivo pelo qual eu vim te encontrar hoje.